PMLLLB de SP. Você conhece este plano?

Uma nova proposta para o Plano Municipal do Livro e da Leitura (PMLL) de São Paulo adicionou duas novas letras (L e B) e destacou duas outras importantes dimensões de atuação: Literatura e Biblioteca, que promovem amplo acesso à informação e desenvolvimento humano. A discussão sobre este novo projeto, baseado no eixo Livro-Leitura-Literatura-Biblioteca, foi intensificada em dezembro do ano passado, quando questões fundamentais sobre o tema foram apresentadas no Seminário sobre o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB) de São Paulo. Leia abaixo um resumo da temática desse evento, que é parte de uma série de encontros públicos para construção democrática e colaborativa do plano.

Grupo de Trabalho do PMLLLB de SP [Mesa 1]

Apresentou o andamento dos trabalhos para elaboração do PMLLLB de SP. Formado para discutir políticas públicas e promover a redação democrática do plano, o GT do PMLLLB pretende até abril de 2015 concluir sua elaboração e, na sequência da aprovação, iniciar sua implementação. Para acompanhar a elaboração do plano, participar do debate e sugerir propostas, consulte: http://pmlllbsp.com/

Democratização do acesso [Mesa 2]

Conferencistas consideraram as novas tecnologias e, por conta de seu impacto, a mudança no perfil de leitores e consumidores de informação. Entrou em questão a necessidade de rever ações de interação com a comunidade e o espaço promotor da leitura, como o exemplo inovador da Biblioteca Parque Estadual do RJ. Além disso, repensar as condições legais já existentes e pouco exploradas, que permitem tornar os livros em suportes mais acessíveis e refletir sobre os laços de contato com o leitor que, de maneira simplista, são pensados como frio (digital e remoto) e quente (físico e presencial).

Fomento à leitura e à formação de mediadores [Mesa 3]

Apoiada na experiência de vida e ativismo dos conferencistas Otávio Jr. (Biblioteca do Complexo do Alemão), Sergio Vaz (poeta e fundador da Coperifa) e Cristino Wapichana (Coordenador do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas), foi destacado o essencial papel do mediador da leitura e da valorização de ações culturais decentralizadas e periféricas, que promovem a diversidade, expressividade e abrangência da cultura brasileira. Baseado nos depoimentos, fica claro que desenvolver a competência de mediador exige um grande esforço de relacionamento com leitura e comunidade, consequentemente, requer dos gestores públicos planejamento e ações mais eficazes para formação deste profissional mediador.

Valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico [Mesa 4]

As abordagens nesta mesa formaram uma visão positiva e emocional da leitura, mas também observaram as dimensões de economia, cidadania e valor simbólico. O livro, Inserido nestas dimensões, foi apontado como instrumento que não pode sobrepor a diversidade cultural de um país. Por sua vez, a instituição Biblioteca precisa repensar seus mecanismos de promoção da leitura (e do livro) respondendo uma pergunta fundamental: leitura é para minorias? Partindo desta questão, o convidado Filipe Leal (bibliotecário e docente na Universidade Autônoma de Lisboa, Portugal) propõe que a Biblioteca seja um aliado estratégico no processo de leitura e, para isso, expresse as diferentes formas de literacia (letramento literário, informacional e digital) e também fortaleça o discurso de promoção da leitura considerando que: pessoas precisam ler, possuem perfis diferentes e fazem diferentes leituras do cotidiano. Por este caminho, ao transformar a Biblioteca em aliado, é necessário considerar algumas realidades: o plano nacional de leitura ocorre na sala de aula, sendo assim, Bibliotecas públicas e escolares são rede de apoio; dados concretos e estatísticas são essenciais, como por exemplo indicadores do Programa Internacional para Avaliação de Estudantes – PISA, para mostrar de forma clara o impacto da leitura e demonstrar que o sucesso do plano esta baseado em pessoas. Por sua vez, pensando também nas organizações políticas que desenvolvem e administram estes planos, Jéferson Assunção (Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul) sugeriu a mudança do formato de sistema, organizado por elementos distantes e interconectados, para o formato de rede, mais ágil e dinâmico, visando ampliar a cooperação entre diversas organizações. Por fim, apresenta o princípio norteador de um plano nacional: o livro com destaque no imaginário coletivo. Como? Estabelecendo projetos e ações concretas: feiras de livros, bibliopraças, família de leitores, formação de leitores culturais e ampliação do acesso ao livro.

Desenvolvimento da economia do Livro [Mesa 5]

“O livro não é uma simples mercadoria”. Esta básica proposição esta inserida na complexa discussão sobre a busca de equilíbrio entre a venda de um livro e sua capacidade de promover a leitura. Atentos ao grande mercado para venda de livros, debatedores destacaram a necessidade de regulamentação do varejo, nos moldes da “lei do preço fixo” aplicada em outros países (França, Argentina, Alemanha etc.), que proteja pequenos editores e promova a bibliodiversidade, assim como permita a circulação de novas ideias e se desvie da massificação de um mesmo título, quase sempre destacado artificialmente pela estrutura do mercado editorial. Para fortalecer a relação mercado-livro-leitura, políticas específicas precisariam ser criadas para cada sistema (criativo, produtivo e jurídico) e a promoção do produto (livro) intensificada, como exemplos já praticados: feiras, campanhas de doação por redes sociais, uso do “cheque livro”, bolsas de intercâmbio para participação em feiras internacionais, premiações do leitor e livreiro do ano, eventos que promovam mais reflexões sobre a leitura, capacitação de bibliotecários e interação com editores. Por fim, valorização de atividades da economia criativa (arte, cultura, mídias eletrônicas e design) e sua relação com a economia do conhecimento.

Literatura [Mesa 6]

Retomar grupos e projetos para estudo e promoção da literatura foi o ponto de discussão desta mesa. Inserida em um plano político, a dimensão da literatura se constrói por meio do entendimento de textos, em prosa ou verso, bem como sua relação com nossa história social e a transmissão de registros de experiências humanas que formam nossa cultura. Por este aspecto, há um elo natural entre livro-leitura-literatura que torna a estrutura do plano mais completa. No entanto, ao integrar no plano municipal de SP a dimensão da literatura, ou outras influências, como por exemplo o poder da oralidade, observamos a carência de análises e ações mais concretas para entendimento deste processo. Esta discussão sobre o eixo da literatura foi mais um passo na direção deste entendimento.

Cultura e educação: experiências de integração [Mesa 7]

Duas inspiradoras e motivadoras experiências são expostas nesta mesa: Escola Teia Multicultural e Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD). Baseadas na prática e constante busca por maneiras diferentes de lidar com educação e cultura, as experiências apresentadas ampliaram a discussão sobre a delicada relação entre formação tradicional e novos conhecimentos. Neste contexto, surgiram várias indagações: como fazer algo de maneira diferente e inovadora? como analisar a diferença entre o hábito e o prazer pela leitura? como criar um time para pensar numa “cidade educativa”? Sem resposta simples ou melhor direção, uma analogia feita por Tião Rocha (presidente do CPCD) dá a dimensão do esforço de mudança: “Para educar uma criança é preciso convocar uma aldeia”. Em outras palavras, esta “aldeia” significa o envolvimento de pessoas, instituições (de arte, cultura, esporte e lazer) e espaços públicos, dentro e fora da escola, com intenção de ampliar as oportunidades de aprender e ensinar, ou seja, uma comunidade com grande potencial humano para transmitir e compartilhar saberes cotidianos.

Pensar o PMLLLB exige esforço semelhante e as discussões propostas neste evento indicaram a complexidade e relevância da ação coletiva. Acompanhe o plano da cidade de SP e também divulgue outros planos municipais. Em Osasco, o Movimento Advocacy divulgou ao secretário municipal da Cultura o “Plano Municipal do Livro, Leitura e Biblioteca”, mas não obteve manifestação dos gestores públicos. Por isso, a participação e apoio da comunidade é essencial para que os planos sejam discutidos, implantados e continuem em pauta.

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