Bibliotecas Públicas estão desamparadas pela área de Cultura

“Uma Política de Estado para a Cultura: Desafios do Sistema Nacional de Cultura, na organização da gestão e no desenvolvimento da cultura brasileira”. Este foi o tema central da 3ª Conferência Estadual de Cultura, que aconteceu nos dias 11 e 12 de setembro, no Memorial da América Latina (SP). O evento contou com a participação de 420 municípios paulistas e aproximadamente mil pessoas, entre eles 849 dirigentes culturais e 168 dirigentes de cultura, reunidas para discutir propostas e ações culturais de impacto estadual e nacional. Os eixos de trabalho seguiram o mesmo padrão das conferências municipais:

I – IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE CULTURA

II – PRODUÇÃO SIMBÓLICA E DIVERSIDADE CULTURAL

III – CIDADANIA E DIREITOS CULTURAIS

IV – CULTURA E DESENVOLVIMENTO

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Conferência Estadual de Cultura

O primeiro dia (11) foi dedicado para solenidades de abertura oficial do evento e somente no dia 12 foram iniciadas as discussões que, de forma exaustiva e pressionadas pelo tempo, trataram do regimento que orienta a conferência, discussões por eixo temático, que durou até o início da noite e, finalmente, a eleição dos delegados e aprovação em plenária das propostas de impacto Estadual e Nacional, um processo que só terminou 1h da manhã, madrugada do dia 13.

Por sua característica democrática, o evento permitiu o diálogo entre agentes de cultura de diversas regiões de SP. Em princípio, seria uma boa oportunidade para estabelecer parcerias com representantes municipais e expor propostas para valorização das Bibliotecas Públicas, no entanto, a impressão final desse diálogo foi que Bibliotecas Públicas não possuem representatividade, são invisíveis aos olhos de gestores e sua missão como instituição pública não é reconhecida pela área de Cultura.

Para o tema “bibliotecas”, pouquíssimas foram as propostas que os municípios enviaram e aprovaram para aplicação Estadual ou discussão na Conferência Nacional de Cultura. Apenas como referência, havia uma proposta de modernização de biblioteca, que não foi para a votação e outra que se referia a criação de “bibliotecas multimídia”, mais acessíveis e inclusivas, com maior aquisição de livros e computadores para leitura em Braille e áudio descrição. Como consequência, fragilizadas pelo desamparo, Bibliotecas Públicas ficaram apartadas da construção de políticas da área de Cultura que, oficialmente, orienta seu funcionamento, mas não reconhece sua função sociocultural e não oferece recursos que permitam sua adequação às necessidades do cidadão. Para reverter esse quadro, de ausência de representatividade, entendemos que seria preciso uma articulação maior entre bibliotecários e organismos representantes de classe para sensibilizar, unir profissionais e construir pontes para participação em eventos como este, que promovem políticas públicas de cultura.

De qualquer forma, graças ao grande apoio obtido pelo abaixo-assinado divulgado neste blog, as propostas para Bibliotecas Públicas encaminhadas à Conferência Estadual resultaram em uma “moção de aprovação” dessas propostas (veja  pdf mocao_bibliotecas) e seu encaminhamento à Conferência Nacional de Cultura, que será realizada entre os dias 26 a 29 de novembro. Para validar esta moção também foi necessário o apoio dos conferencistas, que foi obtido com a assinatura mínima de 100 delegados. Neste sentido, fazemos um agradecimento especial ao Sr. Reinaldo Custódio Silva (delegado nato, que luta para regulamentação da profissão de artesão) que apoiou a causa das Bibliotecas Públicas e sensibilizou pessoas, conversando com cada um dos conferencistas, mostrando a importância de assinarem a “moção de apoio” às propostas do Movimento Advocacy. Por fim, agradecemos bibliotecários, professores, estudantes, familiares, amigos e interessados pela causa, enfim, todos que tornaram possível encaminhar propostas que incluam as Bibliotecas Públicas na pauta da Conferência Nacional.

Conheça as propostas aprovadas na Conferência Estadual de Cultura (Estadual e Federal) e saiba quem são os delegados estaduais eleitos para participar da Conferência Nacional.

Ação Política, Biblioteca Pública e Cultura

Sábado passado, dia 10 de agosto, aconteceu em Osasco a 3ª Conferência Municipal de Cultura, que discutiu o tema “Uma política de Estado para Cultura: desafios do Sistema Nacional de Cultura”.  Considerando a dimensão da cidade, o evento reuniu um grupo pequeno de interessados, cerca de 300 pessoas, formado por servidores públicos, sociedade civil, artistas e autoridades políticas, entre elas, o prefeito de Osasco  Jorge Lapas e seu vice Valmir Prascidelli, o deputado estadual Marcos Martins, a vereadora Profª Mazé Favarão, o presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esportes da Câmara Municipal de Osasco e também vereador Valdir Roque, que literalmente vestiu a camisa pela causa das bibliotecas, o secretário Municipal de Cultura Fábio Yamato e o diretor regional do Ministério da Cultura que fez as primeiras recomendações da discussão.

Os trabalhos iniciaram, no período da manhã, com solenidades de abertura e a leitura do regimento interno da Conferência, que foi debatido e recebeu alterações aprovadas em plenária. Mas foi no período da tarde que os participantes realizaram a mais agitada e importante discussão, com finalidade de levantar propostas que serão encaminhadas à III Conferência Estadual de Cultura – SP.

Movimento Advocacy em Bibliotecas Públicas de Osasco na 3ª Conferência Municipal de Cultura

Movimento Advocacy em Bibliotecas Públicas de Osasco na 3ª Conferência Municipal de Cultura

Identificados pela camiseta da campanha nacional “Eu amo Biblioteca, Eu quero” , idealizada pela Febab, o Movimento Advocacy para Bibliotecas Públicas de Osasco participou da conferência com o objetivo de valorizar as bibliotecas municipais (e obter impacto nas esferas estadual e federal) com propostas para os quatro eixos de debate:

Eixo 1 – Implementação do Sistema Nacional de Cultura

• Criar o Sistema Municipal de Bibliotecas
• Criar cargos específicos para biblioteca: Técnico em biblioteconomia
• Ampliar o quadro de bibliotecários em atuação
• Promover a capacitação dos funcionários da biblioteca e a participação em eventos da área, por meio de subsídios financeiros
• Criar indicadores municipais para bibliotecas públicas que sejam factíveis e mensuráveis em todo o território nacional para se estabelecer padrão de monitoramento e avaliação
• Fortalecer e operacionalizar os Sistemas de Financiamento Público da Cultura: Orçamentos Públicos, Fundos de Cultura e Incentivos Fiscais
• Criar orçamento público específico para Biblioteca Pública promover aquisição de acervo, com vistas a sua modernização e ampliação; manutenção do software da biblioteca
• Do convênio assinado entre o Prefeito Jorge Lapas e o Ministério da Cultura, metas do PNC destinam 1 ou 2% do orçamento para Cultura, pedir sobre essa destinação 15% para bibliotecas públicas
• Criação de censo periódico das bibliotecas públicas [com indicadores de desenvolvimento e atualização do acervo, profissionais, investimento e periodicidade máxima de ocorrência de pesquisa a cada dois/cinco anos]


Eixo 2 – Produção Simbólica e Diversidade Cultural Étnica e Racial

• Financiar a digitalização de acervo de memória, objetivando a preservação, acesso e disseminação da história local
• Criar centro de multimídia nas Bibliotecas Públicas
• Criar linha de financiamento permanente para ampliar e atualizar a infraestrutura
• Inserir as Bibliotecas nas mídias sociais (Facebook, Twitter, blogs e outras que poderão surgir)
• Elaborar plano de política nacional para orientação no desenvolvimento de conteúdos das bibliotecas nas mídias sociais


Eixo 3 – Cidadania e Direitos Culturais

• Valorizar o espaço das Bibliotecas Públicas, como produtora de bens culturais, como por exemplo, a criação ou adequação de espaço para a aproximação dos escritores locais e comunidade no incentivo da criação e fruição da literatura local
• Campanha nacional na imprensa e em locais de acesso público para valorização social e cultural da Biblioteca Pública
• Promover parceria entre Secretaria da Cultura e Secretaria da Educação, especificamente para a Biblioteca Pública, para criação de uma rede de compartilhamento de saberes
• Inserir a Biblioteca Pública no circuito extracurricular dos estudantes, a fim de que percebam o papel de produtora cultural e de formação cidadã da Biblioteca Pública
• Cumprir o papel designado no Manifesto da UNESCO para Bibliotecas Públicas: “…..porta de entrada para o conhecimento….é o centro local da informação, tornando prontamente acessíveis aos seus utilizadores o conhecimento e a informação de todos os gêneros” Portanto, sugerimos a implantação do Serviço de Informação ao Cidadão – SIC, de acordo com a Lei Federal de acesso a informação 12.527/11, em Bibliotecas Públicas
• Revitalização das Bibliotecas Públicas já instaladas no município


Eixo 4 – Cultura e Desenvolvimento

• Inserir as Bibliotecas Públicas de Osasco no circuito turístico da cidade, através de serviços e ou produtos que ofereçam melhor experiência para o público, baseado em três fatores básicos: utilidade, uso e atratividade para conveniência
• Observar que as três bibliotecas públicas de Osasco possuem projetos de reforma e ampliação para atingir esses objetivos

Muito embora o Movimento Advocacy tenha elaborado propostas para os quatro eixos, no momento de organização dos grupos de discussão optou, estrategicamente, em concentrar-se apenas no eixo 1. Desta forma, adquiriu mais força de convencimento e garantiu que as propostas fossem aceitas no momento da votação.

Depois das discussões em grupos, a plenária foi retomada com o resultado das propostas de todos os eixos e para eleição de delegados que participarão da Conferência Estadual. Este foi o momento das articulações e formação de grupos de pressão em busca de votos. O Movimento Advocacy aderiu a formação de uma chapa para eleição e conseguiu obter uma vaga para delegado municipal (titular e suplente, respectivamente, os bibliotecários Marli de F.S. Vasconcellos e Antonio Paulo Carretta), que agora tem a missão de representar o Movimento Advocacy para Bibliotecas Públicas de Osasco na Conferência Estadual de Cultura (dias 11 e 12 de setembro, no Memorial da América Latina, em SP).

Foi uma conquista especial, as propostas foram bem aceitas e o sentimento de valorização das Bibliotecas Públicas foi ampliado pelos conferencistas, além disso, foi divulgado ao secretário municipal da Cultura o Plano Municipal de Livro, Leitura e Biblioteca, que contém mais de 600 assinaturas de apoio e demonstra aceitação da sociedade civil, usuários e funcionários das bibliotecas, bem como participantes da conferência.

Sem dúvida foi um momento de luta, mobilização, ações concretas e conquista.  No entanto, como está a participação dos bibliotecários nas Conferências Municipais de Cultura de outras cidades? Será possível fortalecer esta causa nas Conferências Estaduais e Nacional? Vale lembrar este pensamento:

“Se não fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus ancestrais, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades de gerações vindouras. Se não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão a existir, os homens não precisariam do discurso ou da ação para se fazerem entender.” (Hannah Arendt)

XXV CBBD

Terminou quarta-feira (10/07) o XXV CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (CBBD), que este ano foi realizado em Florianópolis (Santa Catarina) e iniciou dia 07/07. Foram quatro dias de apresentações com intensa discussão, troca de experiências, ideias inovadoras, palestras motivadoras, críticas, desabafos e reflexões de profissionais da informação de áreas diversas. Paralelamente, o evento também abrigou outros dois encontros: o III Fórum Nacional de Bibliotecas Públicas e o 1º Fórum Biblioteconomia Escolar: Pesquisa e Prática. Além disso, o sistema CFB/CRB incluiu na programação um seminário exclusivo sobre “Ética nas Profissões”, com o propósito de repensarmos as práticas do profissional bibliotecário. Tudo junto e misturado.

Por conta da diversidade de assuntos tratados e da impossibilidade de participarmos de todos os eixos temáticos do evento, fazemos abaixo um pequeno comentário das principais preocupações e mensagens disseminadas.

Abertura do Congresso:

Durante abertura do evento foi lançada a campanha (advocacy) para valorização das bibliotecas brasileiras: “Eu Amo Biblioteca, Eu Quero”. Realizada pela FEBAB, organizadora do evento, esta campanha propõe um esforço profissional para adoção de um movimento de valorização do papel social das bibliotecas e sensibilização da sociedade para apropriação deste espaço de cultura. Um estande com camisetas, canecas e bolsas promoveu a marca da campanha:

Interessados podem obter pelo site do movimento o material de divulgação ou, em breve, comprar pela loja virtual da FEBAB produtos da campanha. Primeira impressão: acreditamos que o movimento foi bem aceito pelos profissionais, o símbolo da campanha também, mas não percebemos engajamento, propostas de mobilização ou propagação de estratégias para campanha.

Temas, mensagens e reflexões: “Bibliotecas, Informação, Usuários – Abordagens de transformação para a Biblioteconomia e Ciência da Informação”

Muito embora a temática central do evento destaque o usuário, a maior parte das apresentações esteve concentrada na questão da tecnologia e seus impactos na área e nas competências profissionais. A impressão é que ainda entendemos muito pouco sobre as pessoas que frequentam bibliotecas.

As comunicações foram agrupadas em três eixos temáticos:

  1. Tecnologias de informação e comunicação: um passo a frente. Trabalhos apoiados na composição de informação + tecnologia + usuários. Impressão geral: muitas experiências de sucesso e poucas revelações de erros, a teorização apresentada indica uma apropriação de tecnologias seguindo tendências do mercado, inovando pouco e com impacto social diluído. Muitos olhares para: Web 2.0, arquitetura da informação, uso de redes sociais, interface para celular, acesso, tratamento, comunicação e transferência de informação.
  2. Transcompetências: diferenciais dos usuários e dos profissionais da informação. Foram discutidas (principalmente) as novas competências profissionais baseadas no aprendizado de tecnologias e interação em ambientes digitais com usuários nativos. Impressão geral: temos pouca habilidade com ferramentas digitais, dificuldades com o trabalho colaborativo e falhas na interação com os nativos da era digital. As ferramentas são utilizadas mais para comunicação e bem menos para ação. Poucas referências aos conceitos de liderança, advocacy e mediação, porém, destaque para relação entre biblioteca e memória, assim como experiências de humanização, saúde e bem-estar, por meio da biblioterapia.
  3. Bibliotecas, Serviços de Informação & Sustentabilidade. Comunicações focadas na gestão e qualidade de serviços, propostas de avaliação, métricas, marketing e ações culturais. Impressão geral: experiências que indicam o quanto precisamos evoluir na relação “humano-biblioteca” e na urgência de propor condições de sustentabilidade.

veja aqui os vídeos das conferências.

Fóruns:

Bibliotecas Públicas: Apresentação de experiências sensíveis e focadas na prática cultural e mediação da leitura. O Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas prepara uma revisão na base de dados de bibliotecas brasileiras e desenvolve uma nova aplicação que, esperamos, seja para promover visibilidade, monitoramento das instituições, controle de investimentos e formação de uma rede de ações e boas práticas. Infelizmente, não percebemos grandes mudanças e inovações na área, assim como o discurso continua apoiado no esforço pessoal, dificuldades financeiras e recorrente descaso político.

Biblioteconomia Escolar: Preocupações concentradas, com toda razão, na lei de universalização das bibliotecas nas instituições de ensino, na revisão da relação entre aluno, escola e biblioteca e nas dificuldades de encontrar um modelo norteador.

Visão geral e alguns apontamentos:

Devido a diversidade e quantidade de trabalhos, seria impossível criar um relato detalhado do evento. De qualquer forma, esperamos que a FEBAB disponibilize no site todo material das apresentações. Relatamos aqui uma percepção sobre este encontro e, como resultado da participação, algumas reflexões profissionais:

  • temos discutimos muito pouco a ética e o bem-estar profissional
  • desconhecemos a dimensão da Lei de Acesso à Informação para bibliotecas
  • ainda não entendemos a proposta de trabalho colaborativo, conectividade e interatividade
  • carecemos de boas práticas para uso de mídias sociais
  • nossa competência como mediador entre informação e usuário precisa ser revista
  • temas como memória, biblioterapia, bibliotecas públicas e escolares precisam ser fortalecidos em nossa área
  • cresce o mercado de livros digitais, mas pouco sabemos sobre seu uso
  • recursos educacionais abertos, conhecimento livre e ensino a distância são novas realidades e precisam ser apropriados pela área
  • o espaço físico da biblioteca precisa atender características estruturais: flexibilidade, funcionalidade, interatividade e segurança

As mensagens transmitidas no congresso possuem vários tons (alerta, política, motivação, sensibilização) e traduzem bem o momento atual: de revisão profissional e mudança de comportamento; de olhar para o futuro; de aceitação das novas tecnologias; de mudança da geração de usuários; de promoção da criatividade; de urgência em ações, mobilizações e união profissional. Percepções do momento que foram captadas em duas citações inspiradoras:

“Nenhum de nós é tão inteligente como todos nós juntos” (Warren Bennis)

“Os analfabetos do futuro não serão aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que não sabem aprender, desaprender, e reaprender.” (Alvin Tofler)

De tudo o que conseguimos acompanhar, estas duas frases resumem bem o sentimento do momento: pensar em grupo, aprender, experimentar e agir em rede.

“Encontro pelo Conhecimento Livre”

Conhecimento livre, informações abertas, recursos de educação na medida de cada pessoa, em qualquer lugar e promovidos em ambiente de troca e intensa colaboração. Está familiarizado com este assunto? Quer saber um pouco mais? Estas e outras questões foram discutidas no “Encontro pelo Conhecimento Livre”, que refletiu sobre novas tendências em educação, produção e circulação livre de informações. Organizado pelo Grupo de Trabalho em Ciência Aberta, formado por pesquisadores brasileiros e apoiado por organizações sem fins lucrativos, Open Knowledge Foundation Brasil e Wikimedia Foundation, que incentivam a produção, desenvolvimento e distribuição de conteúdo livre e multilíngue, o evento aconteceu em dois momentos.

Primeiro (dia 07/06) foi realizado um encontro entre pesquisadores e interessados, que aconteceu na USP (auditório Abrahão de Moraes, do Instituto de Física) e apresentou experiências e esclarecimentos nos seguintes temas:

Acesso aberto a publicações científicas

• Dados científicos abertos

• Ferramentas científicas abertas

• Ciência cidadã

• Educação aberta e recursos educacionais abertos

• Wikipesquisas

veja os convidados e resumo das palestras aqui.

Todos os temas tratados acentuam a necessidade de maior liberdade na aprendizagem e exigem ações de apoio e políticas públicas para ampliação dos saberes da sociedade para um mundo melhor.

O segundo momento (dia 08/06) aconteceu na simpática e aconchegante Casa Nexo, onde foi promovida uma oficina para consolidar os conceitos tratados no encontro e ampliar o grupo de trabalho formado por interessados na prática de processos abertos na ciência.

Local onde foram realizadas as oficinas, no 2º dia do encontro sobre Ciência Aberta.

Casa Nexo, no bairro do Cambuci:  “Lugar de convergência, território de influências.”

Participamos destes dois encontros e tomamos contato com ideias novas que indicam um caminho (sem volta) para nossa sociedade do conhecimento: informação livre, conteúdo aberto para uma educação melhor, construída com base na colaboração entre pesquisadores e regido por quatro liberdades fundamentais: uso, cópia, modificações e distribuição de dados, que visam expansão de saberes para o bem estar científico e social.

O Movimento de Ciência Aberta esbarra em inúmeros conflitos com os modelos vigentes de educação, mercado e direitos autorais, mas é um conflito necessário para encontrarmos um modelo melhor (e mais justo) de divulgação e apropriação de informação.

Por que este tema interessa as Bibliotecas Públicas? Porque lida com a matéria prima de nossa área: informação. Além disso, experiências democráticas já estão acontecendo e o contexto profissional esta mudando para as Bibliotecas Públicas, assim como para bibliotecas escolares e universitárias, que precisam se adequar e definir qual será seu papel frente a esse novo modelo de acesso e disseminação de informação. Para isso, encarar as novas tecnologias de pesquisa colaborativa como aliados e enxergar estas instituições como espaço de convivência, troca de experiências e conhecimento aberto (entre biblioteca, usuário e comunidade) nos parece o primeiro passo.

Muito ainda precisa ser discutido, por isso, em outro texto voltaremos ao tema para refletir sobre o papel da Biblioteca Pública na dimensão do conteúdo aberto. Por enquanto, se você quer entender um pouco mais sobre o mundo wiki, recursos educacionais abertos, ciência aberta e participar das discussões do grupo, comece pelos links:

Portal Ciência Aberta

Educação Aberta e Recursos Educacionais Abertos

Wikiversidade

Mika é a mascote da casa. Ela participou das oficinas.

Presença felina: Mika, mascote da Casa Nexo, nos acompanhou durante as oficinas e intervalos.

Bibliotecário precisa ser líder

No dia 28 de março, participamos do evento “Deixando a zona de conforto: oportunidades de liderança para bibliotecários”, em São Paulo, no auditório da Biblioteca São Paulo. Promovido pelo Sistema Estadual de Bibliotecas  SisEB e Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo, o evento apresentou videoconferência de  Maureen Sullivan, Presidente da American Library Association  ALA, seguido por um painel de discussão com as convidadas Adriana Ferrari, vice-presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições FEBAB;  Danna Van Brandt, adida cultural do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e Sueli Nemen Rocha, diretora da Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato da Prefeitura do Município de São Paulo (BIJ).

videoconferência de  Maureen Sullivan, Presidente da ALA

videoconferência de Maureen Sullivan, Presidente da ALA

Em sua palestra, Maureen Sullivan abordou a necessidade do bibliotecário assumir uma postura mais confiante, proativa e de liderança no trabalho, assim como fortalecer sua  inteligência emocional e eficiência, para isso, considere:

  • descobrir e aprimorar seus pontos pessoais mais fortes, que ajudem no desenvolvimento profissional
  • estabelecer um plano de trabalho que indique estratégias e caminhos para vida profissional
  • trabalhar com pessoas que ofereçam apoio positivo
  • buscar feedback de pessoas confiáveis e sintonizadas com seu trabalho, peça aos seus colegas uma avaliação profissional
  • pensar na capacidade pessoal e no comprometimento individual de desenvolver novas competências
  • rever suas conquistas e explorar o que você faz de melhor e dá mais prazer

Sullivan destacou também a importância da troca de “boas práticas” em bibliotecas, mas de maneira sistemática. Ressaltou que o bibliotecário precisa conhecer e interagir com a comunidade onde trabalha para recuperar  o significado social da biblioteca. Neste sentido, o profissional não pode ser um mero participante, mas precisa conduzir ações, mobilizar, liderar. Para Sullivan, nunca houve um momento tão importante e favorável como este, por isso, o profissional precisa agir.

Dentro dessa perspectiva, para a bibliotecária Miriam Pessoa dos Santos, da Biblioteca Pública Heitor Sinegaglia, o “líder bibliotecário” deve valorizar e motivar a equipe da biblioteca, assim como estreitar relações com a comunidade e os gestores públicos.

Miriam Pessoa dos Santos

Miriam Pessoa dos Santos: Para as Bibliotecas Públicas evitarem a “Zona de Conforto” é necessário buscar grandes desafios e novas oportunidades.

Após videoconferência, ocorreu o painel de discussão que refletiu sobre a mudança do currículo nas escolas de biblioteconomia, para desenvolvimento das competências de mediação e práticas de ações culturais, assim como, a formação de uma “rede de boas práticas” em Bibliotecas Públicas, que registre e incentive novas experiências.

A videoconferência estará disponível em breve no site https://conx.state.gov/brazil/

Planeje o futuro da sua Biblioteca Pública

Entre os dias 11 a 13 de março, participamos do  ‘Seminário Internacional sobre Sistemas de Informação e Acervos Digitais de Cultura”, em São Paulo, no auditório da biblioteca Brasiliana USP, que em breve será aberta ao público. Realizado pela Secretaria de Políticas Culturais (SPC) do Ministério da Cultura (Minc), o evento reuniu palestrantes nacionais e internacionais que contaram suas experiências no campo da cultura digital e da gestão de informação. Vale a pena checar! O conteúdo das palestras estará disponível para consulta nas próximas semanas.

Uma notícia importante, divulgada no evento por Américo Córdula, diretor de Estudos e Monitoramento de Políticas Culturais do Minc, será o lançamento do Programa de Apoio à Digitalização de Acervos Culturais e Históricos no Brasil. Este programa selecionará, por meio de editais, 20 instituições públicas ou privadas, que tenham acervo de valor histórico e ou cultural  e que queiram digitalizar seus documentos,  para publicação em repositório digital que seja acessível na internet. O programa oferecerá um kit com scanner, câmera, computadores etc, além de aplicativos e treinamento da equipe envolvida.  Segundo o Minc, o investimento está em torno de R$ 600 mil e a previsão do edital é para abril de 2013. Bibliotecários, fiquem atentos ao prazo do edital!!! Está é uma boa oportunidade para Biblioteca Pública modernizar sua estrutura para guarda, preservação e disseminação da memória local.

Dentro da programação, a equipe do Minc apresentou o Plano Nacional de Cultura (PNC), Lei nº 12.343/2010, com 53 metas que deverão ser alcançadas até 2020.  Para registro e reflexão, destacamos abaixo as metas do PCN relacionadas (diretamente) às Bibliotecas Públicas:

Meta 20:   Média de quatro livros lidos fora do aprendizado formal por ano, por cada brasileiro.

          O que é preciso para alcançar esta meta?

As principais ações a serem desenvolvidas para alcançar a meta são:

  • criar bibliotecas em todas as cidades, com equipamentos, acervo e funcionários suficientes para mantê-las em funcionamento;
  • capacitar pessoas para que atuem na democratização do acesso ao livro e formação de leitores, por meio de visitas domiciliares, empréstimos de livros, rodas de leitura, contação de histórias, criação de clubes de leitura e saraus literários;
  • apoiar novos espaços de leitura, tais como salas de leitura, bibliotecas circulantes, bibliotecas comunitárias, acervos em hospitais e associações comunitárias.

Meta 29:   100% de bibliotecas públicas, museus, cinemas, teatros, arquivos públicos e centros culturais atendendo aos requisitos legais de acessibilidade e desenvolvendo ações de promoção da fruição cultural por parte das pessoas com deficiência.

          O que é preciso para alcançar esta meta?

É preciso fazer cumprir a Lei Federal nº 10.098/2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. É preciso garantir também, que os espaços culturais ofereçam:

  • instalações, mobiliários e equipamentos adaptados para acesso e uso desse público;
  • banheiros adaptados;      
  • estacionamentos com vagas reservadas e sinalizadas;
  • sinalização visual e tátil para orientação de pessoas com deficiência auditiva e visual;
  • espaços reservados para cadeira de rodas e lugares específicos para pessoas com deficiência auditiva e visual com acompanhante.

Além disso, é preciso estimular os espaços culturais para que desenvolvam ações voltadas para a promoção da efetiva fruição cultural por parte das pessoas com deficiência, tais como oferecer equipamentos e serviços que facilitem o acesso aos conteúdos culturais. Exemplo disso é o uso do Braille, de Libras e da audiodescrição.

Meta 34:    50% de bibliotecas públicas e museus modernizados.     

          O que é preciso para alcançar esta meta?

É preciso dar continuidade ao Programa de Modernização de Bibliotecas Públicas da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), e ao Programa de Modernização de Museus, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Além disso, é necessário que estados e cidades também realizem projetos para aprimorar instalações, equipamentos, acervos e materiais de bibliotecas e museus públicos.

Meta 41:    100% de bibliotecas públicas e 70% de museus e arquivos disponibilizando informações sobre seu acervo no SNIIC.

          O que é preciso para alcançar esta meta?

É preciso que as instituições façam o inventário de seu acervo e mantenham um catálogo atualizado com informações sobre ele. Ao mesmo tempo, é necessário finalizar o módulo do SNIIC que integrará essas informações e as disponibilizará ao público, o que está previsto para 2013.

O PNC (versão integral em pdf/19MB clique aqui)  foi apresentado no Encontro Nacional de Novos Prefeitos 2013, em Brasília. O PNC é um plano de gestão compartilhada, por isso, é necessário que o prefeito faça adesão ao Sistema Nacional de Cultura comprometendo-se a elaborar o Plano Municipal de Cultura (PMC) para as políticas culturais da cidade, por um período de 10 anos. Desta forma a municipalidade pode receber recursos federais. Verifique se o Prefeito da sua cidade compareceu neste encontro. O Prefeito Jorge Lapas de Osasco esteve presente.

Para o acompanhamento e avaliação do PNC, o Minc disponibilizará em plataforma digital, o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC). Ele permitirá que o cidadão monitore e avalie as ações culturais no Brasil. No entanto, para monitorar o Plano Municipal de Cultura (PMC) e as ações para Bibliotecas Públicas, precisamos conhecer os instrumentos de planejamento da administração pública. O PMC deve conter diretrizes, objetivos e metas. A Biblioteca Pública precisa estar inserida no PMC e, para isso, é importante identificar problemas e situações que necessitam de soluções. Vale lembrar que toda meta deve conter uma ação mensurável por meio de indicadores, por exemplo:

  • Diretriz: promover o hábito de leitura
  • Objetivo: garantir o crescimento do acervo por meio de novas aquisições
  • Meta: aumentar anualmente em 20% o acervo com títulos novos
  • Indicador: total de títulos do ano anterior, acrescido de 20%

A participação dos bibliotecários é essencial para construção do PMC e permitirá que a Biblioteca Pública tenha representatividade na administração municipal. Planeje o futuro da sua Biblioteca Pública, use as estratégias de Advocacy e provoque mudanças.

Bibliotecas em Ação!

Terminou na semana passada o 5º Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias que reuniu, entre os dias 21 e 23 de novembro, profissionais de diversas regiões do Brasil e convidados estrangeiros que refletiram e discutiram temas motivadores, assim como registraram experiências, que colaboram para o aprimoramento de ações em bibliotecas em nosso país. Acreditamos que, em breve, estarão disponíveis as apresentações do evento e para quem não participou vale a pena checar em http://www.bibliotecaviva.org.br/.  Estivemos no evento e percebemos que as palavras-chave foram (e são) mobilização e  ação!

bibviva