Bibliotecas Públicas estão desamparadas pela área de Cultura

“Uma Política de Estado para a Cultura: Desafios do Sistema Nacional de Cultura, na organização da gestão e no desenvolvimento da cultura brasileira”. Este foi o tema central da 3ª Conferência Estadual de Cultura, que aconteceu nos dias 11 e 12 de setembro, no Memorial da América Latina (SP). O evento contou com a participação de 420 municípios paulistas e aproximadamente mil pessoas, entre eles 849 dirigentes culturais e 168 dirigentes de cultura, reunidas para discutir propostas e ações culturais de impacto estadual e nacional. Os eixos de trabalho seguiram o mesmo padrão das conferências municipais:

I – IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE CULTURA

II – PRODUÇÃO SIMBÓLICA E DIVERSIDADE CULTURAL

III – CIDADANIA E DIREITOS CULTURAIS

IV – CULTURA E DESENVOLVIMENTO

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Conferência Estadual de Cultura

O primeiro dia (11) foi dedicado para solenidades de abertura oficial do evento e somente no dia 12 foram iniciadas as discussões que, de forma exaustiva e pressionadas pelo tempo, trataram do regimento que orienta a conferência, discussões por eixo temático, que durou até o início da noite e, finalmente, a eleição dos delegados e aprovação em plenária das propostas de impacto Estadual e Nacional, um processo que só terminou 1h da manhã, madrugada do dia 13.

Por sua característica democrática, o evento permitiu o diálogo entre agentes de cultura de diversas regiões de SP. Em princípio, seria uma boa oportunidade para estabelecer parcerias com representantes municipais e expor propostas para valorização das Bibliotecas Públicas, no entanto, a impressão final desse diálogo foi que Bibliotecas Públicas não possuem representatividade, são invisíveis aos olhos de gestores e sua missão como instituição pública não é reconhecida pela área de Cultura.

Para o tema “bibliotecas”, pouquíssimas foram as propostas que os municípios enviaram e aprovaram para aplicação Estadual ou discussão na Conferência Nacional de Cultura. Apenas como referência, havia uma proposta de modernização de biblioteca, que não foi para a votação e outra que se referia a criação de “bibliotecas multimídia”, mais acessíveis e inclusivas, com maior aquisição de livros e computadores para leitura em Braille e áudio descrição. Como consequência, fragilizadas pelo desamparo, Bibliotecas Públicas ficaram apartadas da construção de políticas da área de Cultura que, oficialmente, orienta seu funcionamento, mas não reconhece sua função sociocultural e não oferece recursos que permitam sua adequação às necessidades do cidadão. Para reverter esse quadro, de ausência de representatividade, entendemos que seria preciso uma articulação maior entre bibliotecários e organismos representantes de classe para sensibilizar, unir profissionais e construir pontes para participação em eventos como este, que promovem políticas públicas de cultura.

De qualquer forma, graças ao grande apoio obtido pelo abaixo-assinado divulgado neste blog, as propostas para Bibliotecas Públicas encaminhadas à Conferência Estadual resultaram em uma “moção de aprovação” dessas propostas (veja  pdf mocao_bibliotecas) e seu encaminhamento à Conferência Nacional de Cultura, que será realizada entre os dias 26 a 29 de novembro. Para validar esta moção também foi necessário o apoio dos conferencistas, que foi obtido com a assinatura mínima de 100 delegados. Neste sentido, fazemos um agradecimento especial ao Sr. Reinaldo Custódio Silva (delegado nato, que luta para regulamentação da profissão de artesão) que apoiou a causa das Bibliotecas Públicas e sensibilizou pessoas, conversando com cada um dos conferencistas, mostrando a importância de assinarem a “moção de apoio” às propostas do Movimento Advocacy. Por fim, agradecemos bibliotecários, professores, estudantes, familiares, amigos e interessados pela causa, enfim, todos que tornaram possível encaminhar propostas que incluam as Bibliotecas Públicas na pauta da Conferência Nacional.

Conheça as propostas aprovadas na Conferência Estadual de Cultura (Estadual e Federal) e saiba quem são os delegados estaduais eleitos para participar da Conferência Nacional.

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Apoie propostas para valorização das Bibliotecas Públicas

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Mas para fortalecer este papel precisamos de apoio e mobilização.


Dias 11 e 12 de setembro acontece em SP a Conferência Estadual de Cultura. Este evento pretende debater políticas e ações culturais para os próximos anos e, por isso, vamos apresentar na conferência propostas para valorização das Bibliotecas Públicas focadas na adoção de melhores políticas culturais e criação do Fundo Municipal de Bibliotecas (para repasse de verbas municipais, estaduais e federais) que permitam: renovação de acervo, projetos de incentivo à leitura, programas de preservação da memória, aperfeiçoamento de profissionais da informação, manutenção preventiva dos prédios, modernização de equipamentos e tecnologias para acesso à informação. Além do impacto estadual, as propostas aprovadas neste evento serão encaminhadas para Conferência Nacional e poderão ajudar esquecidas Bibliotecas Públicas do Brasil.

conheça as > Propostas 3ª Conferencia Estadual de Cultura
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Se você acredita que é possível provocar mudanças, manifeste seu apoio pelo abaixo-assinado online e divulgue esta informação aos amigos e interessados.

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Ação Política, Biblioteca Pública e Cultura

Sábado passado, dia 10 de agosto, aconteceu em Osasco a 3ª Conferência Municipal de Cultura, que discutiu o tema “Uma política de Estado para Cultura: desafios do Sistema Nacional de Cultura”.  Considerando a dimensão da cidade, o evento reuniu um grupo pequeno de interessados, cerca de 300 pessoas, formado por servidores públicos, sociedade civil, artistas e autoridades políticas, entre elas, o prefeito de Osasco  Jorge Lapas e seu vice Valmir Prascidelli, o deputado estadual Marcos Martins, a vereadora Profª Mazé Favarão, o presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esportes da Câmara Municipal de Osasco e também vereador Valdir Roque, que literalmente vestiu a camisa pela causa das bibliotecas, o secretário Municipal de Cultura Fábio Yamato e o diretor regional do Ministério da Cultura que fez as primeiras recomendações da discussão.

Os trabalhos iniciaram, no período da manhã, com solenidades de abertura e a leitura do regimento interno da Conferência, que foi debatido e recebeu alterações aprovadas em plenária. Mas foi no período da tarde que os participantes realizaram a mais agitada e importante discussão, com finalidade de levantar propostas que serão encaminhadas à III Conferência Estadual de Cultura – SP.

Movimento Advocacy em Bibliotecas Públicas de Osasco na 3ª Conferência Municipal de Cultura

Movimento Advocacy em Bibliotecas Públicas de Osasco na 3ª Conferência Municipal de Cultura

Identificados pela camiseta da campanha nacional “Eu amo Biblioteca, Eu quero” , idealizada pela Febab, o Movimento Advocacy para Bibliotecas Públicas de Osasco participou da conferência com o objetivo de valorizar as bibliotecas municipais (e obter impacto nas esferas estadual e federal) com propostas para os quatro eixos de debate:

Eixo 1 – Implementação do Sistema Nacional de Cultura

• Criar o Sistema Municipal de Bibliotecas
• Criar cargos específicos para biblioteca: Técnico em biblioteconomia
• Ampliar o quadro de bibliotecários em atuação
• Promover a capacitação dos funcionários da biblioteca e a participação em eventos da área, por meio de subsídios financeiros
• Criar indicadores municipais para bibliotecas públicas que sejam factíveis e mensuráveis em todo o território nacional para se estabelecer padrão de monitoramento e avaliação
• Fortalecer e operacionalizar os Sistemas de Financiamento Público da Cultura: Orçamentos Públicos, Fundos de Cultura e Incentivos Fiscais
• Criar orçamento público específico para Biblioteca Pública promover aquisição de acervo, com vistas a sua modernização e ampliação; manutenção do software da biblioteca
• Do convênio assinado entre o Prefeito Jorge Lapas e o Ministério da Cultura, metas do PNC destinam 1 ou 2% do orçamento para Cultura, pedir sobre essa destinação 15% para bibliotecas públicas
• Criação de censo periódico das bibliotecas públicas [com indicadores de desenvolvimento e atualização do acervo, profissionais, investimento e periodicidade máxima de ocorrência de pesquisa a cada dois/cinco anos]


Eixo 2 – Produção Simbólica e Diversidade Cultural Étnica e Racial

• Financiar a digitalização de acervo de memória, objetivando a preservação, acesso e disseminação da história local
• Criar centro de multimídia nas Bibliotecas Públicas
• Criar linha de financiamento permanente para ampliar e atualizar a infraestrutura
• Inserir as Bibliotecas nas mídias sociais (Facebook, Twitter, blogs e outras que poderão surgir)
• Elaborar plano de política nacional para orientação no desenvolvimento de conteúdos das bibliotecas nas mídias sociais


Eixo 3 – Cidadania e Direitos Culturais

• Valorizar o espaço das Bibliotecas Públicas, como produtora de bens culturais, como por exemplo, a criação ou adequação de espaço para a aproximação dos escritores locais e comunidade no incentivo da criação e fruição da literatura local
• Campanha nacional na imprensa e em locais de acesso público para valorização social e cultural da Biblioteca Pública
• Promover parceria entre Secretaria da Cultura e Secretaria da Educação, especificamente para a Biblioteca Pública, para criação de uma rede de compartilhamento de saberes
• Inserir a Biblioteca Pública no circuito extracurricular dos estudantes, a fim de que percebam o papel de produtora cultural e de formação cidadã da Biblioteca Pública
• Cumprir o papel designado no Manifesto da UNESCO para Bibliotecas Públicas: “…..porta de entrada para o conhecimento….é o centro local da informação, tornando prontamente acessíveis aos seus utilizadores o conhecimento e a informação de todos os gêneros” Portanto, sugerimos a implantação do Serviço de Informação ao Cidadão – SIC, de acordo com a Lei Federal de acesso a informação 12.527/11, em Bibliotecas Públicas
• Revitalização das Bibliotecas Públicas já instaladas no município


Eixo 4 – Cultura e Desenvolvimento

• Inserir as Bibliotecas Públicas de Osasco no circuito turístico da cidade, através de serviços e ou produtos que ofereçam melhor experiência para o público, baseado em três fatores básicos: utilidade, uso e atratividade para conveniência
• Observar que as três bibliotecas públicas de Osasco possuem projetos de reforma e ampliação para atingir esses objetivos

Muito embora o Movimento Advocacy tenha elaborado propostas para os quatro eixos, no momento de organização dos grupos de discussão optou, estrategicamente, em concentrar-se apenas no eixo 1. Desta forma, adquiriu mais força de convencimento e garantiu que as propostas fossem aceitas no momento da votação.

Depois das discussões em grupos, a plenária foi retomada com o resultado das propostas de todos os eixos e para eleição de delegados que participarão da Conferência Estadual. Este foi o momento das articulações e formação de grupos de pressão em busca de votos. O Movimento Advocacy aderiu a formação de uma chapa para eleição e conseguiu obter uma vaga para delegado municipal (titular e suplente, respectivamente, os bibliotecários Marli de F.S. Vasconcellos e Antonio Paulo Carretta), que agora tem a missão de representar o Movimento Advocacy para Bibliotecas Públicas de Osasco na Conferência Estadual de Cultura (dias 11 e 12 de setembro, no Memorial da América Latina, em SP).

Foi uma conquista especial, as propostas foram bem aceitas e o sentimento de valorização das Bibliotecas Públicas foi ampliado pelos conferencistas, além disso, foi divulgado ao secretário municipal da Cultura o Plano Municipal de Livro, Leitura e Biblioteca, que contém mais de 600 assinaturas de apoio e demonstra aceitação da sociedade civil, usuários e funcionários das bibliotecas, bem como participantes da conferência.

Sem dúvida foi um momento de luta, mobilização, ações concretas e conquista.  No entanto, como está a participação dos bibliotecários nas Conferências Municipais de Cultura de outras cidades? Será possível fortalecer esta causa nas Conferências Estaduais e Nacional? Vale lembrar este pensamento:

“Se não fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus ancestrais, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades de gerações vindouras. Se não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão a existir, os homens não precisariam do discurso ou da ação para se fazerem entender.” (Hannah Arendt)

XXV CBBD

Terminou quarta-feira (10/07) o XXV CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (CBBD), que este ano foi realizado em Florianópolis (Santa Catarina) e iniciou dia 07/07. Foram quatro dias de apresentações com intensa discussão, troca de experiências, ideias inovadoras, palestras motivadoras, críticas, desabafos e reflexões de profissionais da informação de áreas diversas. Paralelamente, o evento também abrigou outros dois encontros: o III Fórum Nacional de Bibliotecas Públicas e o 1º Fórum Biblioteconomia Escolar: Pesquisa e Prática. Além disso, o sistema CFB/CRB incluiu na programação um seminário exclusivo sobre “Ética nas Profissões”, com o propósito de repensarmos as práticas do profissional bibliotecário. Tudo junto e misturado.

Por conta da diversidade de assuntos tratados e da impossibilidade de participarmos de todos os eixos temáticos do evento, fazemos abaixo um pequeno comentário das principais preocupações e mensagens disseminadas.

Abertura do Congresso:

Durante abertura do evento foi lançada a campanha (advocacy) para valorização das bibliotecas brasileiras: “Eu Amo Biblioteca, Eu Quero”. Realizada pela FEBAB, organizadora do evento, esta campanha propõe um esforço profissional para adoção de um movimento de valorização do papel social das bibliotecas e sensibilização da sociedade para apropriação deste espaço de cultura. Um estande com camisetas, canecas e bolsas promoveu a marca da campanha:

Interessados podem obter pelo site do movimento o material de divulgação ou, em breve, comprar pela loja virtual da FEBAB produtos da campanha. Primeira impressão: acreditamos que o movimento foi bem aceito pelos profissionais, o símbolo da campanha também, mas não percebemos engajamento, propostas de mobilização ou propagação de estratégias para campanha.

Temas, mensagens e reflexões: “Bibliotecas, Informação, Usuários – Abordagens de transformação para a Biblioteconomia e Ciência da Informação”

Muito embora a temática central do evento destaque o usuário, a maior parte das apresentações esteve concentrada na questão da tecnologia e seus impactos na área e nas competências profissionais. A impressão é que ainda entendemos muito pouco sobre as pessoas que frequentam bibliotecas.

As comunicações foram agrupadas em três eixos temáticos:

  1. Tecnologias de informação e comunicação: um passo a frente. Trabalhos apoiados na composição de informação + tecnologia + usuários. Impressão geral: muitas experiências de sucesso e poucas revelações de erros, a teorização apresentada indica uma apropriação de tecnologias seguindo tendências do mercado, inovando pouco e com impacto social diluído. Muitos olhares para: Web 2.0, arquitetura da informação, uso de redes sociais, interface para celular, acesso, tratamento, comunicação e transferência de informação.
  2. Transcompetências: diferenciais dos usuários e dos profissionais da informação. Foram discutidas (principalmente) as novas competências profissionais baseadas no aprendizado de tecnologias e interação em ambientes digitais com usuários nativos. Impressão geral: temos pouca habilidade com ferramentas digitais, dificuldades com o trabalho colaborativo e falhas na interação com os nativos da era digital. As ferramentas são utilizadas mais para comunicação e bem menos para ação. Poucas referências aos conceitos de liderança, advocacy e mediação, porém, destaque para relação entre biblioteca e memória, assim como experiências de humanização, saúde e bem-estar, por meio da biblioterapia.
  3. Bibliotecas, Serviços de Informação & Sustentabilidade. Comunicações focadas na gestão e qualidade de serviços, propostas de avaliação, métricas, marketing e ações culturais. Impressão geral: experiências que indicam o quanto precisamos evoluir na relação “humano-biblioteca” e na urgência de propor condições de sustentabilidade.

veja aqui os vídeos das conferências.

Fóruns:

Bibliotecas Públicas: Apresentação de experiências sensíveis e focadas na prática cultural e mediação da leitura. O Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas prepara uma revisão na base de dados de bibliotecas brasileiras e desenvolve uma nova aplicação que, esperamos, seja para promover visibilidade, monitoramento das instituições, controle de investimentos e formação de uma rede de ações e boas práticas. Infelizmente, não percebemos grandes mudanças e inovações na área, assim como o discurso continua apoiado no esforço pessoal, dificuldades financeiras e recorrente descaso político.

Biblioteconomia Escolar: Preocupações concentradas, com toda razão, na lei de universalização das bibliotecas nas instituições de ensino, na revisão da relação entre aluno, escola e biblioteca e nas dificuldades de encontrar um modelo norteador.

Visão geral e alguns apontamentos:

Devido a diversidade e quantidade de trabalhos, seria impossível criar um relato detalhado do evento. De qualquer forma, esperamos que a FEBAB disponibilize no site todo material das apresentações. Relatamos aqui uma percepção sobre este encontro e, como resultado da participação, algumas reflexões profissionais:

  • temos discutimos muito pouco a ética e o bem-estar profissional
  • desconhecemos a dimensão da Lei de Acesso à Informação para bibliotecas
  • ainda não entendemos a proposta de trabalho colaborativo, conectividade e interatividade
  • carecemos de boas práticas para uso de mídias sociais
  • nossa competência como mediador entre informação e usuário precisa ser revista
  • temas como memória, biblioterapia, bibliotecas públicas e escolares precisam ser fortalecidos em nossa área
  • cresce o mercado de livros digitais, mas pouco sabemos sobre seu uso
  • recursos educacionais abertos, conhecimento livre e ensino a distância são novas realidades e precisam ser apropriados pela área
  • o espaço físico da biblioteca precisa atender características estruturais: flexibilidade, funcionalidade, interatividade e segurança

As mensagens transmitidas no congresso possuem vários tons (alerta, política, motivação, sensibilização) e traduzem bem o momento atual: de revisão profissional e mudança de comportamento; de olhar para o futuro; de aceitação das novas tecnologias; de mudança da geração de usuários; de promoção da criatividade; de urgência em ações, mobilizações e união profissional. Percepções do momento que foram captadas em duas citações inspiradoras:

“Nenhum de nós é tão inteligente como todos nós juntos” (Warren Bennis)

“Os analfabetos do futuro não serão aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que não sabem aprender, desaprender, e reaprender.” (Alvin Tofler)

De tudo o que conseguimos acompanhar, estas duas frases resumem bem o sentimento do momento: pensar em grupo, aprender, experimentar e agir em rede.

Biblioteca Pública e mídias sociais

Milhões de pessoas fazem uso das mídias sociais como parte de sua vida cotidiana. Neste contexto, segundo o relatório “The State of America’s Libraries 2012“, elaborado pela American Library Association (ALA), as mídias sociais estão influenciando diretamente as Bibliotecas Públicas. Nessa pesquisa, estatísticas mostram que 68.3% das Bibliotecas Públicas americanas usam frequentemente o Facebook para atualizar os perfis de seus usuários e como meio de divulgação de eventos e atividades, 39.2% usa Twitter, 34.3% possui um blog e 29.2% mantêm compartilhamento de fotos com algum tipo de serviço online (como Flickr). Nos dados gerais, vídeos (Youtube) aparecem entre as quatro ferramentas mais utilizadas.

No Brasil, dados da Pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação, “TIC Domicílios e Empresas 2011“, promovida pelo Comitê Gestor da Internet (CGI.br), indicam que o usuário da Internet no Brasil aproveita a rede para comunicação,  busca de informações e lazer. Dentro desse quadro, os principais usos estão relacionados às atividades de comunicação: enviar e receber e-mail (78%), enviar mensagens instantâneas (72%), participar de sites de relacionamento (69%),  uso de microblog como, por exemplo, Twitter (22%) e atualização de blogs ou sites (15%). Entre as atividades de lazer mais realizadas: assistir filmes ou vídeos em sites como o YouTube (58%).

Todos estes dados reforçam o importante papel do uso de mídias sociais como ferramentas para comunicação de conteúdos (textos, imagens, áudios, vídeos, etc.), perfis e opiniões; consequentemente, entendemos que seu maior atributo é facilitar a criação de uma rede entre a biblioteca e sua comunidade de usuários. Para refletir sobre o assunto, ao criar uma conta em uma das redes sociais, considere os seguintes aspectos:

  1. A Biblioteca Pública precisa criar identidade digital para interagir nas redes sociais. Comece de maneira simples, escolha uma ferramenta de mídia social (Facebook, Twitter, blog etc.) para compreender seu mecanismo e criar o hábito de uso, depois experimente outras mídias. No entanto, para conseguir uso eficaz, essa atividade dever ser contínua e mantida por uma pessoa dedicada ao serviço de referência em mídias sociais.
  2. As redes sociais promovem interação entre pessoas e grupo de pessoas, atue com seus usuários reais e cative usuários em potencial. Lembre que nas redes sociais é comum oferecer e pedir ajuda. Tente criar para biblioteca um perfil vivo e dinâmico, interagindo com seus usuários e respondendo as perguntas mais comuns que aparecem nas mídias: O que está acontecendo? O que está fazendo? O que está pensando?
  3. Abra espaço de comunicação para interagir com a história do usuário e permitir que a Biblioteca Pública conte sua própria história.
  4. Provoque interações entre os usuários, criando círculos de afinidade e mostre as pessoas o que elas têm em comum.
  5. Divulgue conteúdos positivos, informativos, curiosos ou interessantes, essas informações normalmente são compartilhadas mais vezes. Para entender o impacto dessas mídias veja abaixo o vídeo “Poder do Curtir”, desenvolvido pela organização Médicos Sem Fronteiras, que explica o mecanismo, a força e a dimensão construtiva da informação em rede. Este modelo de mobilização online é também referência para ações em defesa das Bibliotecas Públicas, como o Movimento Advocacy. Se você quer engajar pessoas que acreditam na importância da Biblioteca Pública, use o seu “poder do curtir”.

Carta aberta ao Prefeito Jorge Lapas e Vereadores de Osasco sobre Biblioteca Pública, Informação para Cidadania e Memória da Cidade

Em primeiro lugar parabenizamos ao Exmo. Sr. Prefeito Jorge Lapas pela vitória no pleito de 2012, bem como os representantes que hoje ocupam cadeiras na Câmara Municipal.

Somos cidadãos de Osasco, profissionais de informação e fazemos parte do Movimento Advocacy em Bibliotecas Públicas. Escrevemos a presente carta aos senhores com a intenção de colaborar com a administração pública e manifestar nossa preocupação com a qualidade e carência de Bibliotecas Públicas; a necessidade de fortalecer o direito inquestionável de acesso à informação [de acordo com a Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 que se destina a assegurar o direito fundamental de acesso à informação] e com o resgate da memória de nossa cidade, ou seja, fatores que provocam transformações, fortalecem a cidadania e promovem o desenvolvimento cultural e econômico da cidade.

Neste sentido, percebemos um permanente descompasso nas ações de governantes, legisladores locais e os gestores das Bibliotecas Públicas, que retarda a inserção de Osasco em uma sociedade moderna, empreendedora e de vanguarda, marcas registradas desta cidade, que teve sua origem na vontade de crescimento do empreendedor Antonio Agu, registrou na história social e política do Brasil o momento do 1º vôo da América do Sul e a luta trabalhista do movimento operário brasileiro.

Como qualquer cidadão de Osasco, queremos o melhor para nossa cidade. Osasco completou 50 anos de uma história importante, reconhecida, mas fragmentada e diluída, e lamentamos que pouco se  fez para ampliar as oportunidades culturais, registrar a história local e permitir que seus cidadãos a conheçam melhor.

Os senhores sabem que Osasco ocupa uma das piores posições no ranking nacional de Bibliotecas Públicas? 

Sabem que a Biblioteca Pública Monteiro Lobato acompanha a história da cidade e completa 50 anos de existência em 2013? [Lei 162/1963]

Sabem que as bibliotecas ramais Heitor Sinegaglia e Manoel Fiorita, criadas para atender a carência informacional das zonas norte e sul da cidade, completaram 10 anos em 2012? 

Sabem que existe uma lei [nº 2635/1992] que criou o Arquivo Público Municipal, mas essa instituição municipal nunca foi implantada?

Este ano é um momento de celebração para Biblioteca Municipal Monteiro Lobato pelo seu cinquentenário, no entanto, ela parece tão esquecida e invisível quanto à história de Osasco.  Porém, Sr. Prefeito, acreditamos em seu Plano de Governo que expressa:

  • Modernizar as Bibliotecas Públicas por meio de informatização, reestruturação física, atualização de acervo e promoção de atividades culturais diversificadas;
  • Executar as obras previstas no Convênio do Programa “Usinas Culturais”, já firmado com o MinC, na Biblioteca Pública Heitor Sinegaglia (Zona Sul);
  • Consolidar a Feira Anual do Livro de Osasco, realizada em parceria com a Secretaria de Educação, integrando todas as instituições públicas e privadas de ensino da cidade;
  • Elaborar, em parceria com a Secretaria de Educação, o Programa Municipal do Livro e Leitura, de acordo com as diretrizes da Fundação Biblioteca Nacional/MinC.;
  • Criar e estruturar o Arquivo Público Municipal, com campanha de arrecadação de acervos pessoais de interesse público e implantar novos padrões de tratamento do acervo histórico, artístico e bibliográfico da cidade.

Todas são propostas excelentes, porém, é preciso acelerar os programas de apoio e materializar estas idéias com ações concretas e específicas. Algumas situações constrangedoras nos alertam para isso e propomos algumas ações:

Situação atual e Sugestão de ações

Situação atual: A publicação do “1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais” de 2010, realizado pela Fundação Getúlio Vargas para o MinC, indicou que Osasco, com população de duas a três vezes maior que Barueri (1ª colocada), Jandira (6ª colocada)  e Carapicuíba (230ª colocada), apresenta o menor  número de bibliotecas para atender sua comunidade. Osasco aparece na 256ª colocação, quase no final do ranking, que vai até o 260º lugar. Posição, no mínimo, preocupante para uma cidade que se promove como “a 5ª maior população do Estado de São Paulo e o 10º PIB entre os municípios brasileiros”.

Ações para reverter esta situação:

  • garantir orçamento público anual, dentro Plano Plurianual e Leis de Diretrizes Orçamentárias, para Bibliotecas Públicas;
  • formar efetivamente uma rede Bibliotecas Públicas, por meio da informatização de acervos, facilitando e respeitando o direito do cidadão à informação;
  • criar mais bibliotecas públicas em Osasco, para isso, é importante realizar o estudo de comunidade para determinar os bairros prioritários;
  • promover a formação de acervo: aquisição de livros atualizados e novas mídias (imagem, som, vídeo, etc.), conforme demanda do usuário;
  • realizar concurso público para bibliotecários;
  • modernizar equipamentos de trabalho e serviço (computadores e outros equipamentos digitais: TVs, DVDs, tablets, datashow, scanners, etc)
  • implantar novos serviços que atendam todos os usuários: crianças e jovens (inclusão tecnológica, incentivo à leitura e mídias sociais), trabalhador (qualificação profissional), idoso (inclusão digital, cultural e registro da memória social), pessoas com necessidades especiais (adequação do espaço físico e promoção do acesso à informação)

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Situação atual: Desinteresse pelas bibliotecas ramais Manoel Fiorita e Heitor Sinegaglia, que existem há 10 anos, definidas pela Lei 3.840/2004, se estabeleceram como importantes pontos de referência para comunidade local, realizam projetos relevantes de cultura e incentivo à leitura para transformação de vidas, mas carecem de renovação e reformas, tanto quanto a Biblioteca Pública Monteiro Lobato.

O que aconteceu com Biblioteca Ubirajara Coutinho? criada pela mesma lei que instituiu as demais bibliotecas ramais.

Estagnação estrutural do equipamento de cultura Banca Biblioteca do Rochdale.

Ações para reverter esta situação:

  • recuperar, reformar, ampliar e adequar os prédios das bibliotecas, pois estão bem localizadas e inseridas na comunidade local e, por isso, carece de investimentos para qualificar o atendimento;
  • rever a proposta para Banca Biblioteca do Rochdale, com intuito de inserir este equipamento na rede de Bibliotecas Públicas.

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Situação atual: A lei de criação do Arquivo Histórico Municipal completou 20 anos, mas nunca foi implantado;

O Brasil iniciou um processo de resgate histórico com a Comissão Nacional da Verdade (criada pela Lei 12528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012) e convidou a sociedade para participar deste projeto, por meio da recuperação e organização de documentos e da memória nacional. Porém, o governo de Osasco, não manifestou interesse em participar desse momento.

Ações para reverter esta situação:

  • criar na Biblioteca Municipal Monteiro Lobato o núcleo de memória e documentação municipal, para recolhimento, guarda, preservação e disseminação das informações registradas no patrimônio bibliográfico municipal. Esta atividade também faz parte da função da biblioteca pública municipal, com propósito de preservar a memória da cidade, bairros e cidadãos. Este núcleo seria uma divisão de apoio ao futuro Arquivo Histórico Municipal.
  • criar também a Comissão Municipal da Verdade, em consonância com a Comissão Nacional da Verdade; este seria o primeiro passo para criação de um organismo público voltado para registrar parte da história da cidade.

Finalizamos esta carta acreditando que ações conjuntas possam colaborar nas “soluções para fazer Osasco avançar”. Esperamos que as situações apresentadas e as ações sugeridas sejam consideradas para promover um futuro melhor para nossa cidade, baseado na construção da memória local, na equidade do acesso à informação e no fortalecimento da cidadania. Nos colocamos a disposição dos senhores para eventuais esclarecimentos e apoio.

Movimento Advocacy em Bibliotecas Públicas de Osasco

Advocacy: Passo 5

Passo 5 (monitoramento e avaliação dos resultados)

Este é o quinto e último passo da série “Advocacy: conceito e estratégia” e aborda a importância do monitoramento e avaliação dos resultados obtidos em cada ação praticada. Toda ação planejada tem metas, objetivos e precisamos saber se os objetivos foram alcançados com resultados de impacto positivo ou negativo. A intenção não é procurar culpados ou tentar justificar falhas, mas aprimorar estratégias e obter sintonia no processo. Por isso, é necessário incluir no planejamento o processo de monitoramento, que nada mais é que o acompanhamento rotineiro de todas as atividades desenvolvidas na ação de Advocacy em Bibliotecas Públicas.  Os dados e informações recolhidos no monitoramento devem servir para indicar se a atividade desenvolvida está no caminho certo ou se exige uma mudança de estratégia para alcançar o objetivo proposto.

Sugerimos a criação de indicadores para cada objetivo, a fim de facilitar o monitoramento, por exemplo, vamos buscar no primeiro passo o nosso problema:

O bibliotecário percebe uma evasão dos usuários da biblioteca e consulta os funcionários de referência. Eles relatam que os usuários estão insatisfeitos com os materiais encontrados durante suas pesquisas e questionam a atualização do acervo da biblioteca e ausência de outros tipos de materiais (CDs, DVDs, jogos, títulos atuais de revistas, equipamentos eletrônicos). É comum falarem: “Esta biblioteca não tem nada…”

E agora, a partir desse problema, os temas propostos  e os indicadores sugeridos para monitoramento, por exemplo:

  • investimento para atualização do acervo e compra de novos materiais  indicador para monitoramento: quantos livros novos foram adquiridos por mês? foram feitas assinaturas de revistas? foi adquirido algum material não impresso (CDs, DVDs, equipamentos eletrônicos)? há pesquisas anteriores de desenvolvimento de coleção? ]
  • criação de legislação que garanta orçamento anual específico para aquisição de acervo [ indicador para monitoramento: foram realizadas reuniões com os tomadores de decisão? a sociedade civil organizada está trabalhando em conjunto com o Movimento Advocacy, para influenciar os vereadores da cidade para votarem a favor do Projeto de Lei de criação da dotação orçamentária específica para aquisição de acervo? ] 
  • pesquisa do hábitos de consumo informacional da comunidade da biblioteca [ indicador para monitoramento: a equipe designada para a realização da pesquisa já iniciou o trabalho (existia um prazo para o inicio da aplicação da pesquisa)? quantas pesquisas foram realizadas? a pesquisa já foi tabulada? como e para quem será encaminhado o resultado da pesquisa? ]

Esses foram alguns exemplos de indicadores. Faça um exercício semelhante, pense no problema, escolha o tema e estabeleça os indicadores.

Dentro do mesmo contexto, precisamos também estabelecer uma avaliação dos resultados das ações em Advocacy. Esta etapa envolve análise de desempenho do grupo envolvido, eficiência das ações e impacto obtido junto aos tomadores de decisão e comunidade. Uma boa avaliação permite identificar os pontos fortes e fracos da ação, consequentemente, rever estratégias, modificar procedimentos e acumular experiências bem sucedidas para futuras ações. Mas como podemos fazer esta avaliação? A maneira mais comum é aplicar uma avaliação no final do processo, medindo se o resultado desejado foi alcançado, por exemplo, estabelecendo indicadores concretos e quantificáveis da mobilização:

  • número de reuniões realizadas com tomadores de decisão e formadores de opinião
  • resultado das reuniões (positiva, negativa ou neutra?)
  • número de compromissos estabelecidos ou acordos assinados em apoio da causa
  • número de grupos da sociedade envolvidos (faça uma lista dos principais grupos-alvo para monitoramento do nível de engajamento, considerando aceitação ou rejeição por setores da sociedade)
  • número de atividades realizadas e quantidade de pessoas mobilizadas
  • quadro comparativo com número de comunicados enviados aos veículos de comunicação em relação ao número de informações divulgadas pela mídia
  • inventário de recursos captados e sua natureza (entre as três principais fontes de renda identificadas pela maioria das organizações sem fins lucrativos podem ser citadas por natureza: recursos governamentais; renda gerada pela venda de serviços – por exemplo, consultorias – ou produtos – camisetas, marcadores de página, sacolas personalizadas, agendas etc.; recursos captados através de doações de indivíduos ou instituições)
  • número de leis aprovadas em favor da Biblioteca Pública
  • quantidade de ações previstas, anuladas e executadas

Considerando todos estes indicadores, reforçamos que o monitoramento e a avaliação são processos contínuos e realizados durante a construção de toda estratégia de Advocacy. A rotina de acompanhamento e as medidas propostas ajudarão verificar se a estratégia está funcionando.

Este foi o ultimo passo das estratégias para elaboração de uma ação Advocacy para Bibliotecas Públicas.  Sabemos que para ter sucesso, precisamos ser fortes e adquirir credibilidade, porém, o primeiro passo para sua realização não inicia exatamente com uma ação, mas com um pensamento:

O primeiro passo é acreditarmos que é possível fazer algo.

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SÉRIE:  ADVOCACY: CONCEITO E ESTRATÉGIA,  PASSO 1,  PASSO 2 , PASSO 3 , PASSO 4

Advocacy: Passo 4

Passo 4 (plano de trabalho, comunicação e captação de recursos)

Depois de recolher informações para entender melhor o problema, definir os objetivos da causa e identificar os apoiadores da Biblioteca Pública, precisamos agora elaborar uma estratégia que permita a realização de uma ação prática. Para isso, vamos apresentar o quarto passo de Advocacy: plano de trabalho, comunicação e captação de recursos.

Plano de trabalho: esta é a primeira etapa do processo onde todos os envolvidos respondem em uma folha de papel a questão: o que podemos fazer? Neste momento, sugerimos o uso da técnica de associação livre de ideias, cada pessoa apresenta de forma livre, sem julgamentos, uma ideia de ação. Em seguida, as ideias sugeridas são selecionadas e agrupadas por afinidades. Este processo facilita a preparação das primeiras ações, por exemplo:

Atividades de conscientização: organização de fóruns, conferências, seminários, palestras, encontros públicos que permitam a disseminação da causa, bem como participar de eventos de tema semelhante para divulgar a causa; distribuição de materiais informativos.

Processo participativo: criar e manter parcerias; buscar pessoas e organizações que contribuam à causa em favor das Bibliotecas Públicas; convidar os parceiros para fortalecer as ações e colaborar nas decisões e construção de uma agenda de trabalho; desenvolver também alianças com universidades e faculdades que colaborem com o papel social da biblioteca.

Geração de conhecimento: utilizar pesquisas, estudos de caso e trabalhos acadêmicos que esclareçam a necessidade da ação e se contraponham ao discurso de adversários; indicar legislação de apoio e os preceitos que fundamentam as propostas de ação, por exemplo, a amplitude da Lei de Acesso à Informação; conhecer legislação que fundamente a ação e sua constitucionalidade, fazendo valer o direito do cidadão à informação, que proporcione a igualdade de oportunidade na vida nacional.

Incentivar a mobilização social: apoiar os tomadores de decisão, com material a respeito das Bibliotecas Públicas; promover a participação dos bibliotecários em comissões, conselhos municipais, reuniões do Legislativo, Orçamento Participativo, audiências públicas municipais de prestação de contas, entre outras atividades.

Criar vínculo com tomadores de decisão: tornar visível aos tomadores de decisão (prefeito, vereador, secretários municipais) o trabalho desenvolvido pela Biblioteca Pública, a fim de conquistar respeito e credibilidade sobre a causa.

Comunicação: Elaborar mensagens de impacto, com informações adequadas ao público-alvo; garantir que as mensagens e o Movimento Advocacy estejam constantemente presentes nos vários meios de comunicação.

Esta organização de ideias e atividades nos ajuda a estabelecer o plano de trabalho e este  plano deve definir:

• Como serão distribuídas a execução de atividades? Quem serão os responsáveis pelas atividades?

• Quais recursos humanos, materiais, técnicos e econômicos são necessários para cada atividade?

• Quando e onde acontecerão as atividades e quem é o público-alvo?

Para auxiliar na definição do plano de ação, leia nosso post sobre o método 5w2h.

Nesta etapa também recomendamos a leitura do “Manual das Pessoas que Advogam pela Biblioteca”, produzido pela ALA e traduzido pela FEBAB, que contém uma abordagem detalhada sobre a construção de um plano de ação, propostas de mensagens e maneiras de lidar com a mídia.

Métodos apropriados de Advocacy: não existe uma regra simples e sua elaboração depende de fatores como:

• a pessoa, grupo, ou instituição-chave

• o problema e seus temas

• o objetivo da ação de Advocacy

• a situação atual do ambiente interno (biblioteca) e externo (público de apoiadores e organizações sociais e políticas)

Comunicação:  é a segunda etapa do processo. As informações coletadas serão utilizadas para criar uma mensagem de convencimento, influente e persuasiva, com impacto para mobilizar o público-alvo em ações a favor da Biblioteca Pública. Neste sentido, o plano de comunicação de Advocacy precisa considerar:

  • Quem vai receber esta mensagem e como será transmitida? Quem vai transmitir a mensagem?
  • Qual o principal ponto que será transmitido ao público-alvo (tomadores de opinião e grupos de interesse)? Qual o propósito da mensagem?
  • Quais os canais de comunicação mais adequados para disseminar a mensagem? (para cada público, parceiro ou tomador decisão, um formato de comunicação pode ser adotado, por exemplo: entrevistas com formadores de opinião e tomadores de decisão, flyers, cartazes, informativos, programas de rádio e televisão, blogs, redes sociais, oficinas, comunicações em eventos acadêmicos e conversas informais)
  • Quando divulgar a mensagem? (fique atento ao cenário político e escolha o melhor momento para divulgação da mensagem)
  • Aonde divulgar sua mensagem? (o local adequado dependerá do objetivo da mensagem, do público que queremos atingir e também da oportunidade; muitas vezes a oportunidade ocorre em local inesperado e não podemos desperdiçar a chance para divulgar a mensagem, por exemplo: imagine que você encontrou no elevador um importante político e você tem 5 minutos de oportunidade para divulgar a causa, você teria um discurso rápido e de impacto para usar neste momento? parceiros e amigos da causa saberiam aproveitar a mesma oportunidade?)

Em resumo, ao elaborar uma mensagem de Advocacy pense:  quem > diz o que > a quem > com que propósito > utilizando que meio > em que momento > em que lugar ?

Captação de recursos: para que o plano de ação em Advocacy apresente resultados positivos, na terceira etapa temos que avaliar quais os recursos: técnicos, humanos, materiais e financeiros disponíveis para realizar determinada ação. A presença ou ausência desses recursos está diretamente ligada a qualidade das ações, por isso, é imprescindível desenvolver habilidades para captar e gerar recursos, mas ressaltamos que deve ser evitada a dependência financeira que possa influenciar na autonomia das ações planejadas.

Precisamos de um plano de financiamento que garanta: gestão institucional de recursos (incluindo sistemas de documentação de receitas e despesas) e a viabilidade e continuidade da ação desencadeada (questão de orçamento). Toda a ação de Advocacy precisa ter claro quanto vai custar, isto é, a quantidade de dinheiro necessária para a execução da ação, especificando o custo de cada atividade.

Captar recursos, não é tarefa simples, afinal quem não precisa de dinheiro? Temos que refletir sobre o “porque” alguém irá investir em nossa ação a favor das Bibliotecas Públicas e não em favor de outra causa. Desta forma, é necessário um plano de captação de recursos, veja algumas orientações para sua elaboração:

• Conheça quem são os financiadores: suas agendas, interesses, como operam, que condições e prazos estabelecem, quais suas exigências.

• Mostre que o plano de trabalho é coerente, factível e que trará benefícios aos investidores, a Biblioteca Pública é uma instituição com credibilidade.

• Procure diversidade nas formas de contribuição. As contribuições para o Movimento Advocacy não se restringem somente ao dinheiro, podem ser na forma de trabalho voluntário, instalações físicas, suprimentos, serviços dos mais variados tipos, etc.

• Acima de tudo, mostre transparência na utilização do recurso financeiro, por meio de relatórios de prestação de contas.

Definido o plano de captação de recursos, chegamos na quarta etapa do processo que é a Implementação do plano de trabalho, significa simplesmente por em prática as atividades planejadas de Advocacy. Agora, mãos a obra!!

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SÉRIE:  ADVOCACY: CONCEITO E ESTRATÉGIA,  PASSO 1,  PASSO 2 , PASSO 3

Advocacy: Passo 3

Passo 3 (identificando tomadores de decisão, aliados, adversários e possíveis amigos da causa)

Sempre que decidimos por em prática uma ideia, encontramos pessoas que se identificam com ela e ajudam a concretizá-la, outras pessoas são contra e ainda temos aquelas que podem ajudar, mas não se decidiram por apoiar. Este comportamento também se repete quando tratamos de ações que envolvam as Bibliotecas Públicas, por isso, o terceiro passo da estratégia de Advocacy é identificar quais são as pessoas tomadoras de decisão, aliadas, adversárias e possíveis amigos da causa.

A primeira etapa desta identificação, consiste em reconhecer quem são as pessoas-chave que queremos influenciar e conquistar com as nossas ideias em favor da Biblioteca Pública. Este grupo de pessoas tomadores de decisão pode ser dividido em:

  • público primário – formado por pessoas que tomam decisões, por exemplo. o secretário da cultura ou a secretaria que a Biblioteca Pública esta subordinada, o prefeito, vereadores, que são as autoridades políticas
  • público secundário – é constituído por pessoas ou grupo de pessoas, ONGs, conselhos municipais de cultura etc., grupos que têm influência sobre os tomadores de decisão (público primário)

Mas para definir este público é preciso conhecer a estrutura institucional na qual a Biblioteca Pública faz parte:

  • Hierarquia e Organograma (o comando da Biblioteca Pública está subordinado a um secretário, diretor, chefe de seção?)
  • Planos municipais e Projeto de governo do prefeito;
  • Cronogramas (dias e horários de reuniões dos conselhos de cultura, orçamento participativo etc.);
  • Trâmites internos (qual o caminho de aprovação de um projeto para biblioteca?)

Conhecer estes pontos ajudará identificar quem é o nosso público-alvo, a estratégia e o momento adequado, dentro da estrutura institucional, que devemos utilizar para atingir nossos objetivos.

Em relação ao público-alvo é importante entender:

  • O que ele conhece sobre o tema que envolve a “Biblioteca Pública?”
  • Ele é favorável, contrário ou indeciso sobre o tema?
  • Quais as vantagens de ter o apoio deste público neste tema (causa)?

Depois de identificar quem toma as decisões, a segunda etapa é definir quem são os aliados, os adversários e os possíveis amigos da causa.

Aliados: são as pessoas ou grupos comprometidos em apoiar a causa da Biblioteca Pública e importantes para:

  • reunir pessoas em prol de uma causa
  • formar alianças, redes ou estratégias de cooperação para aumentar as forças e os recursos do grupo
  • ampliar o número de pessoas e organizações a favor da causa, para aumentar o poder de influenciar os tomadores de decisão
  • provocar mudanças estruturais, portanto, duradouras

Adversários: são pessoas ou grupos que não compactuam com a mesma causa. Mesmo tendo este grupo em oposição, entendemos que buscamos parceiros para as ações de Advocacy e não utilizamos a lógica de confrontação, mas trabalhamos com a lógica de oportunidades favoráveis, que neutraliza a ação oposicionista. É importante ressaltar que devemos conhecer e não subestimar os nossos adversários, desta forma, podemos criar uma estratégia de comportamento em público (nos debates e encontros) e assim, aproveitarmos estes momentos para esclarecer e informar sobre nossa causa.

Possíveis amigos: são apoiadores em potencial, mais ainda indecisos, pessoas que não se posicionaram em relação às Bibliotecas Pública. Cabe ao Movimento Advocacy trazer mais amigos a nosso favor.

Entramos agora na terceira etapa, que consiste na formação de parcerias, que são estratégias importantes para o fortalecimento do Movimento Advocacy.

Os pontos positivos da parceria são: multiplicar a base de apoio; obter em conjunto o que individualmente seria impossível; maiores possibilidades de conseguir mais recursos; maior credibilidade; logo, maior influência; ampliar o alcance do trabalho.

São considerados pontos negativos das parcerias: cada decisão leva mais tempo e esforço; se o poder de decisão não for equilibrado entre os parceiros, pode significar submissão aos desejos de organizações mais poderosas em relação a causa; se a rede ou aliança se interrompe, se divide ou se enfraquece com a saída de um de seus membros, isto repercute negativamente sobre a estratégia de Advocacy.

Para o estabelecimento de parcerias sugerimos:

  • Identificar organizações e pessoas que possam nos apoiar com habilidades e recursos (funcionários da biblioteca, comunidade vizinha, veículos de comunicação da região, políticos, comércio e empresas locais, associações culturais, clubes, serviços de transporte, estudantes, escolas, universidades, livrarias etc.)
  • Definir e registrar as responsabilidades das organizações e das pessoas envolvidas (é importante que todos os parceiros se reúnam e esclareçam o quê, quem e como vai ser a sua participação, todos tem que sair desta reunião sabendo exatamente o que irão realizar, sugerimos que tudo seja registrado, faça uma ata)
  • Programar e realizar reuniões (trabalhar em equipe é bom mas não é fácil, assim, depois da primeira reunião, em que os parceiros definiram sua participação na ação de Advocacy, é necessário o monitoramento das ações de cada parceiro para avaliação e possível alteração nas estratégias. As reuniões devem ser rápidas, objetivas, a pauta conhecida antecipadamente e os encontros, preferencialmente, no mesmo dia e horário)

Depois de identificarmos os tomadores de decisão, aliados, adversários e estabelecermos parcerias, passaremos para o quarto passo da ação de Advocacy:  plano de trabalho, plano de comunicação e captação de recursos.

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SÉRIE:  ADVOCACY: CONCEITO E ESTRATÉGIA,  PASSO 1,  PASSO 2

Advocacy: Passo 2

Passo 2 (definição de meta e objetivos)

Entender o problema que afeta sua comunidade ou grupo de usuários da biblioteca, analisar seu ambiente e discutir a direção para sua solução, nos leva ao segundo passo da estratégia de Advocacy: definir meta e objetivos que permitam uma mudança da situação e apresentação de resultados concretos.

A meta contêm uma proposta geral para o tema escolhido e ações de longo prazo (mais de dois anos), por exemplo:

mobilizar grupos políticos e organizações sociais para criação de legislação que garanta orçamento anual específico às bibliotecas públicas para aquisição de acervo.

O objetivo indica estratégias de curto prazo, com características específicas, resultado mensurável, proposta alcançável, ação prática, visão realista da situação, tempo definido de trabalho e focado na ação. Cada pequeno passo-ação do objetivo permite atingir a meta estabelecida e obter parâmetros para avaliação dos resultados, por exemplo:

Apresentar ao prefeito e vereadores da cidade uma pesquisa sobre as necessidades de consumo informacional da comunidade local, que apóie a criação de um fundo orçamentário para bibliotecas públicas; incluir indicadores do benefício da ação em relação ao prejuízo que a administração pública pode causar para sua comunidade, quando ignora a importância destes investimentos e seu impacto na qualidade de vida do cidadão.

Para definição do objetivo, considere:

  • o que você quer mudar com esta ação?
  • o que você pretende obter com esta ação?
  • quando esta mudança poderá ocorrer?
  • quem fará esta mudança acontecer?
  • quanto da situação poderá mudar (ou ser amenizada) com esta ação?

Além disso, para avaliar a viabilidade do objetivo é essencial analisar:

  • ambiente e clima político do momento (é o momento certo para por em prática a ação? o período de tempo escolhido para o objetivo Advocacy está claro e realista? a rede de pessoas que apóia esta ação sabe quem são os tomadores de decisão? conhece seus nomes e cargos e como transmitir o objetivo da ação para estes tomadores de decisão?)
  • possibilidade de êxito da ação (o objetivo pode ser alcançado mesmo com opositores ao tema?)
  • relevância das informações coletadas que apóiam a ação (o objetivo é de fácil compreensão? possui dados quantitativos e qualitativos suficientes para mostrar que adotar este objetivo pode melhorar a situação?)
  • recursos existentes para suporte (a organização ou rede de pessoas da ação pode conseguir financiamento ou outros recursos para apoiar o trabalho deste objetivo?)
  • capacidade do grupo propulsor em organizar a ação (para realizar este objetivo você contará com a ajuda de muitas pessoas? as pessoas mostram tanto interesse no objetivo quanto em apoiar a ação?)

Os critérios acima ajudam enxergar as possibilidades de sucesso do objetivo, veja se será necessário mudar algum passo, reformular alguma proposta ou intensificar a busca por apoiadores. Reflita também sobre os seguintes pontos:

  • Nosso objetivo pode ser considerado uma estratégia de Advocacy?
  • O que realmente queremos, quais resultados queremos obter?
  • O objetivo proposto é legítimo? Temos legitimidade (jurídica, técnica e ética, confirmando que sua causa é legítima e que você adquire o direito de defender esta causa) de ação sobre o tema proposto? Se não, como podemos garantir sua legitimidade?
  • Como prestar contas de forma transparente sobre nossas ações?
  • Que ações podem ser propostas para influir politicamente o ambiente?
  • Entendemos claramente a dimensão deste trabalho? Nosso discurso está em sintonia? Sabemos divulgar este discurso de forma eficaz e usando vários formatos de divulgação?
  • Quais são nossas expectativas para realizar este trabalho e alcançar nosso objetivo?

Pense em todas estas questões para entrarmos no terceiro passo da ação de Advocacy:  identificar tomadores de decisão, aliados, adversários e possíveis amigos (apoiadores) da ação.

PRÓXIMO TÓPICO > ADVOCACY: PASSO 3

SÉRIE:  ADVOCACY: CONCEITO E ESTRATÉGIA ,  PASSO 1