“Encontro pelo Conhecimento Livre”

Conhecimento livre, informações abertas, recursos de educação na medida de cada pessoa, em qualquer lugar e promovidos em ambiente de troca e intensa colaboração. Está familiarizado com este assunto? Quer saber um pouco mais? Estas e outras questões foram discutidas no “Encontro pelo Conhecimento Livre”, que refletiu sobre novas tendências em educação, produção e circulação livre de informações. Organizado pelo Grupo de Trabalho em Ciência Aberta, formado por pesquisadores brasileiros e apoiado por organizações sem fins lucrativos, Open Knowledge Foundation Brasil e Wikimedia Foundation, que incentivam a produção, desenvolvimento e distribuição de conteúdo livre e multilíngue, o evento aconteceu em dois momentos.

Primeiro (dia 07/06) foi realizado um encontro entre pesquisadores e interessados, que aconteceu na USP (auditório Abrahão de Moraes, do Instituto de Física) e apresentou experiências e esclarecimentos nos seguintes temas:

Acesso aberto a publicações científicas

• Dados científicos abertos

• Ferramentas científicas abertas

• Ciência cidadã

• Educação aberta e recursos educacionais abertos

• Wikipesquisas

veja os convidados e resumo das palestras aqui.

Todos os temas tratados acentuam a necessidade de maior liberdade na aprendizagem e exigem ações de apoio e políticas públicas para ampliação dos saberes da sociedade para um mundo melhor.

O segundo momento (dia 08/06) aconteceu na simpática e aconchegante Casa Nexo, onde foi promovida uma oficina para consolidar os conceitos tratados no encontro e ampliar o grupo de trabalho formado por interessados na prática de processos abertos na ciência.

Local onde foram realizadas as oficinas, no 2º dia do encontro sobre Ciência Aberta.

Casa Nexo, no bairro do Cambuci:  “Lugar de convergência, território de influências.”

Participamos destes dois encontros e tomamos contato com ideias novas que indicam um caminho (sem volta) para nossa sociedade do conhecimento: informação livre, conteúdo aberto para uma educação melhor, construída com base na colaboração entre pesquisadores e regido por quatro liberdades fundamentais: uso, cópia, modificações e distribuição de dados, que visam expansão de saberes para o bem estar científico e social.

O Movimento de Ciência Aberta esbarra em inúmeros conflitos com os modelos vigentes de educação, mercado e direitos autorais, mas é um conflito necessário para encontrarmos um modelo melhor (e mais justo) de divulgação e apropriação de informação.

Por que este tema interessa as Bibliotecas Públicas? Porque lida com a matéria prima de nossa área: informação. Além disso, experiências democráticas já estão acontecendo e o contexto profissional esta mudando para as Bibliotecas Públicas, assim como para bibliotecas escolares e universitárias, que precisam se adequar e definir qual será seu papel frente a esse novo modelo de acesso e disseminação de informação. Para isso, encarar as novas tecnologias de pesquisa colaborativa como aliados e enxergar estas instituições como espaço de convivência, troca de experiências e conhecimento aberto (entre biblioteca, usuário e comunidade) nos parece o primeiro passo.

Muito ainda precisa ser discutido, por isso, em outro texto voltaremos ao tema para refletir sobre o papel da Biblioteca Pública na dimensão do conteúdo aberto. Por enquanto, se você quer entender um pouco mais sobre o mundo wiki, recursos educacionais abertos, ciência aberta e participar das discussões do grupo, comece pelos links:

Portal Ciência Aberta

Educação Aberta e Recursos Educacionais Abertos

Wikiversidade

Mika é a mascote da casa. Ela participou das oficinas.

Presença felina: Mika, mascote da Casa Nexo, nos acompanhou durante as oficinas e intervalos.

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Poder Público, Acesso à Informação e Bibliotecas Municipais

Notícia para acompanhar:

Em 9 de maio, a Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP), considerou em reunião o desenvolvimento de pesquisas sobre bibliotecas públicas municipais como centros de informação pública (leia comunicado). Este é um importante sinal da urgência em avançarmos na reflexão do papel social da Biblioteca Pública (e do bibliotecário) frente à Lei de Acesso à Informação (LAI), assim como na revisão das políticas públicas para bibliotecas.

Entendemos que este é o momento para fortalecer a Biblioteca Pública como espaço social e informacional para desenvolvimento da cidadania. Em breve, os municípios brasileiros precisarão readequar espaços e funções para estruturar o Serviço de Informação ao Cidadão (SIC), de acordo com a LAI. Dentro desta perspectiva, reafirmamos que a Biblioteca Pública se configura, por natureza, como modelo para mediação entre a informação pública e o cidadão. Consequentemente, possui consistência para absorver e gerir este serviço; no entanto, é fundamental a participação do bibliotecário, a fim de elaborar esta proposta em parceria com o gestor público.

Segundo Luís Milanesi, criador do Sistema de Bibliotecas Públicas do Estado de São Paulo (implantado em 1982) e professor do Departamento de Biblioteconomia e Documentação (CBD) da USP: “esse tipo de ação está prevista e determinada pela Lei de Acesso à Informação. Como as bibliotecas contemporâneas colocam-se claramente como centros de informação, a tarefa que se pede a elas é pertinente e desejável”.

Se você quiser entender um pouco mais sobre a Lei de Acesso à Informação (LAI), leia nossos textos sobre o tema.

Biblioterapia: o poder da leitura e da palavra

Você já leu um texto que mexeu com suas emoções? Leu algum trecho ou passagem de uma história e seu dia ficou mais leve? Percebeu algo escrito em livro muito parecido com sua história de vida? Possivelmente, sem querer, o que foi lido fez você refletir sobre algum momento presente ou passado. Você pode ter chorado, ou ter ficado feliz, lembrado de momentos mágicos, ou recordado sentimentos de aflição, agora aliviados e superados. Tudo isso porque o texto lido provocou sentimentos e reflexões pessoais. Agora pense: Que romance faria você ficar animado? Que poema te faz lembrar com carinho do seu melhor amigo? Que livro infantil tem uma história tão engraçada que faz você rir muito e ficar feliz? Para escolher este livro, bem como entender melhor estes sentimentos e permitir reflexões de apoio e mudanças de vida, podemos fazer uso da Biblioterapia.

Ler é importante? Sem dúvida nenhuma, a resposta para esta pergunta é um grande SIM. Lemos para adquirir conhecimento ou pelo simples prazer de ler. Mas hoje vamos falar de um tipo especial de leitura, a biblioterapia.

O termo Biblioterapia vem do grego biblion – que designa todo material bibliográfico e de leitura; e therapein – que significa tratamento ou restabelecimento da saúde. Neste sentido, podemos dizer que biblioterapia é uma atividade que auxilia no tratamento terapêutico da saúde mental, usando a leitura para este fim. Por meio da interação entre o leitor e o texto, esta atividade pode contribuir para:

aliviar o estresse,

• ajudar a lidar com sentimentos de raiva, frustração, solidão, tristeza, medo …,

• promover a conversa em grupo sobre seus problemas,

• diminuir a sensação de isolamento entre as pessoas,

• estimular a criatividade, a imaginação e novos interesses,

• aumentar a autoestima,

• proporcionar momentos de alegria e descontração,

• incentivar o gosto pela leitura,

• auxiliar na adaptação hospitalar e na humanização de espaços,

• diminuir a intensidade da dor pessoal.

É uma lista grande de benefícios e, por conta disso, coloca o profissional bibliotecário numa posição importante para atuação na biblioterapia. Sendo por excelência um mediador da leitura, que reúne competências e ferramentas para conhecer o público, selecionar o material adequado e organizá-lo, o bibliotecário está inserido na equipe de biblioterapia, também formada por profissionais de outras áreas como, por exemplo, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, médico, enfermeira, enfim, todos os profissionais que possuem uma postura humanizada.

A bibliotecária (e contadora de histórias) Raquel Cosmano, da Biblioteca Pública Manoel Fiorita, em Osasco, nos contou um pouco de sua experiência nessa atividade. Em 2012, em conjunto com a terapeuta ocupacional Cristina Valotta, da Secretaria da Saúde (Programa de Saúde Mental), Cosmano promoveu diversas sessões com famílias interessadas, que se encontravam semanalmente na biblioteca para a terapia com contação de histórias. Para isso, foram formados grupos com crianças (dividido em faixas etárias) e mulheres. Os grupos participavam de atividades e contações de histórias organizadas para discussões focadas nas características de cada grupo. Este ano a atividade foi interrompida, mas esperamos que seja retomada em breve e, para ressaltar sua relevância, fizemos as seguintes perguntas para Cosmano:

Que observações você poderia fazer sobre o impacto dessa atividade na comunidade?

“A maioria das crianças nunca tinham entrado em uma biblioteca, e muitos nem imaginavam o quanto é fascinante, criando descobertas através de livros e histórias. As atividades e as histórias, a princípio, pareciam não gerar resultados, mas no decorrer dos encontros semanais víamos que os mesmos tinham entendido o recado ou a história através de suas atitudes. Na minha opinião, poderíamos até implementar tendo atividades para os pais, enquanto aguardavam os filhos. Para isso, a dimensão do trabalho seria muito grande e não temos toda essa estrutura física, humana e nem interesses de outros.”

Que benefícios você enxerga com a criação de um projeto lei que pode expandir esse serviço?

“Eu creio que seria formas de contribuir com vidas, sejam eles crianças, mulheres e idosos; homens têm mais resistência a esse tipo de atividades. Trazendo a auto-estima, valores, a importância da vida, que vale a pena estudar, se esforçar mesmo quando muitos ou todos digam que não. Levando o gosto pela cultura seja através de música, teatro, dança ou qualquer atividade que a pessoa se enquadre. Não digo que faremos uma sociedade justa, mas resgataremos muitas vidas da rua, da margem de risco, da ociosidade, da depressão. Através do projeto lei, isso ofereceria espaços físicos, profissionais, verba e credibilidade para realização de um trabalho que pode transformar vidas.”

Raquel Cosmano trabalha na Biblioteca Pública Manoel Fiorita desde sua inauguração, em set.2002.

Raquel Cosmano atua em ações comunitárias para contações de histórias e trabalha na Biblioteca Pública Manoel Fiorita desde sua inauguração, em set./2002.

Dentro desta perspectiva de promoção do bem-estar e maior qualidade de vida do cidadão, ressaltamos que a biblioterapia vem ganhando espaço em pesquisas de universidades e nos hospitais, apoiando o processo de humanização no atendimento; ao mesmo tempo, despertou o interesse da Câmara dos Deputados, onde está tramitando o Projeto de Lei 4186/12, que dispõe sobre a prática da biblioterapia nos hospitais públicos.

No município de Osasco, este movimento em favor da implantação da biblioterapia conquistou o apoio do vereador Valdir Roque (PT) que, sensibilizado, protocolou recentemente junto a Câmara Municipal um Projeto de Lei que dispõe sobre o uso da biblioterapia nos hospitais e CAPS.

Para quem quiser ler mais sobre o tema e o poder de transformação pela leitura e a palavra, sugerimos a leitura dos textos (pdf):

A leitura como função terapêutica: Biblioterapia

“A biblioteca e a biblioterapia no tratamento dos pacientes da Associação Brasileira de Assistência as Pessoas com Câncer”

No Brasil a biblioterapia é uma atividade que ainda está se consolidando, por isso é importante o apoio a essa prática leitora. Pesquise na Biblioteca Pública do seu município se existe um projeto de Biblioterapia, caso não haja, incentive a criação. Mas se quiser experimentar os benefícios da leitura, sugerimos que você vá até a Biblioteca Pública mais próxima, escolha um livro e veja o que acontece.

Lei de Acesso à Informação: Impacto da LAI para Bibliotecas Públicas

Este é o último texto da série Lei de Acesso à Informação (LAI) que colabora para o início de uma ampla discussão sobre o papel da Biblioteca Pública e a implantação da LAI nos municípios.

O processo de reconhecimento do direito de acesso a informação pública se efetivou com a LAI (em novembro de 2011) e o Decreto nº 5.852, que regulamenta a lei no Estado de São Paulo (em maio de 2012). Portanto, passado mais de um ano da legalidade do acesso à informação pública, qual é o papel da Biblioteca Pública para que, na prática, este direito seja garantido? Caberia a Biblioteca Pública, principalmente nos municípios, promover o acesso à informação pública? E como a Biblioteca Pública seria uma instituição mediadora entre a informação pública e o cidadão?

Para responder a estas questões, precisamos entender sobre qual é o papel da Biblioteca Pública. Assim, recorremos ao documento da IFLA/UNESCO, Manifesto sobre Bibliotecas Públicas por se tratar de referência internacional para essas instituições. Este documento diz que a Biblioteca Pública é “… porta de entrada para o conhecimento…”, além disso, “… é o centro local de informação, tornando prontamente acessíveis aos seus utilizadores o conhecimento e a informação de todos os gêneros.”

Esta orientação coloca a Biblioteca Pública no centro da comunidade em que está inserida e a torna responsável por oferecer condições cognitivas e tecnológicas para aproximar o cidadão da informação. Esta é função primordial da Biblioteca Pública, ou seja, promover e assegurar a todos os cidadãos o acesso à informação, sem distinção e de forma democrática. Neste sentido, a Biblioteca Pública é um espaço sociocultural por excelência, que favorece o desenvolvimento da comunidade local por meio dos seus serviços de disseminação da informação, preservação da memória, promoção da leitura e geração de conhecimento.

No âmbito municipal, a LAI ainda precisa ser discutida e sua dimensão e impacto analisada como política pública. Como profissional de informação, o bibliotecário possui essa competência de análise para tratar e organizar informações, bem como mediar seus usos para entender a necessidade do cidadão. A postura do bibliotecário deverá estar alinhada a proatividade da lei e favorecer a transparência ativa das informações públicas. Neste momento, entendemos que é inadmissível ignorar o papel social de promoção do conhecimento e se alienar profissionalmente da participação desse processo democrático.

Bibliotecário, verifique como alguns municípios brasileiros estão conduzindo a aplicação da LAI, para isso acesse aqui

 

Lei de Acesso à Informação: Acesso e Disseminação

O acesso às informações produzidas ou sob a guarda da administração pública direta e indireta é direito preconizado pela Lei de Acesso à Informação (LAI). Falar sobre acesso à informação também é falar de comunicação e, além disso, tratar da disseminação da informação. Neste contexto, precisamos pensar em como essa informação será passada à pessoa que solicitou e, no caso de informações públicas, avaliar uma gama enorme de pessoas com necessidades informacionais diversas e que possuem graus de instrução e entendimento diferentes e pessoas com necessidades especiais.

ACESSO

Mas, quais os procedimentos para efetivar o acesso? E aquele cidadão que não sabe usar o computador e a Internet, está excluído do direito ao acesso à informação?

Primeiramente cabe verificar se no seu município foi criado o Serviço de Informações ao Cidadão (SIC), para atender e orientar ao cidadão, bem como protocolizar os documentos e requerimentos. No entanto, apenas criar o SIC, não garante o efetivo acesso. É necessário permitir que acessar informação seja como um movimento de aproximação e transferência, neste caso, entre o cidadão e a informação pública. Portanto, saber onde a informação está localizada não é o mais importante, mas como acessá-la é fundamental. Neste sentido, os governantes precisam adotar a gestão da informação com foco no cidadão, a fim de torná-la recuperável, no momento em que o cidadão necessitar buscá-la.

Para se efetivar este direito, o SIC tem que desenvolver mecanismos que disponibilizem a informação em documento físico e não apenas digital. Concomitantemente, elaborar políticas públicas de inclusão digital, usando espaços públicos, como por exemplo, as Bibliotecas Públicas, projetadas para se tornarem polos educativos no uso da informação e das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).  A fim de não condenar o cidadão ao atraso e obsolescência informacional, bem como a cidade.

Criar condições de facilitar o acesso à informação a todos os cidadãos de maneira imparcial é obrigação dos governantes, assim como, uma questão ético-profissional (de bibliotecários, arquivistas e outros profissionais que trabalham com a informação). Neste caso, a Lei de Acesso à Informação nº 12.527/2011 é sem dúvida um avanço para a democratização da informação e estabelece em seu Capítulo III quais os procedimentos necessários para o acesso:

  • Qualquer cidadão pode solicitar a informação que deseja, apenas se identificando e especificando o que quer;
  • Cabe ao poder público viabilizar o encaminhamento da resposta;
  • Não é necessário justificar o pedido da informação;
  • O acesso à informação é imediato ou se não for possível, deverá responder em 20 dias, prorrogável por mais 10 dias com justificativa expressa e deverá comunicar a data, o local e como se efetuará o acesso à informação;
  • O serviço é gratuito, exceção feita quando for necessário fazer cópia de documentos;
  • Quando o acesso for negado é direito requerer  por escrito, a justificativa da negativa.

Existem informações que o cidadão não tem acesso? Sim. As informações consideradas sigilosas:

  • As pessoais, por exemplo, qual o nome e endereço de pessoas portadoras do vírus HIV que moram na sua cidade. Este tipo de informação diz respeito a intimidade, imagem e honra e poderia causar preconceito ou qualquer outro tipo de constrangimento ou dano.
  • As que dizem respeito à segurança da sociedade (à vida, segurança ou saúde da população) ou do Estado (soberania nacional, relações internacionais, atividades de inteligência).

Vale lembrar que: o não cumprimento da Lei de Acesso à nformação impõe sanções a todos os agentes públicos (funcionários e governantes), que vai de suspensão até a improbidade administrativa.  O acesso à informação implica na mudança de paradigma de sigilo para acesso, tanto daqueles que tem direito, como daqueles que tem o dever de fornecer a informação. Por isso, nos parece essencial capacitar os agentes públicos para que estejam em sintonia com a LAI. Por afinidade e por competência profissional, acreditamos que os bibliotecários poderiam assumir esse papel de orientador da capacitação, assim como promover uma relação mais harmoniosa entre a informação pública e o cidadão.

DISSEMINAÇÃO 

Quando falamos em disseminação da informação, entendemos este conceito como um processo de mediação para obtenção de novos conhecimentos e fator fundamental para o desenvolvimento da cidadania. Portanto, no processo de disseminação consideramos as diferentes  necessidades de informação do cidadão, bem como  as diferenças socioculturais,   físicas e cognitivas.

As informações devem ser transmitidas de forma transparente e clara. Por exemplo, dados técnicos precisam que ser colocados em linguagem inteligível e cotidiana. Outro aspecto importante é a exigência que a disseminação das informações ocorra também na internet. Para isso, a lei prevê e assegura ao cidadão que:

  • Os sites tenham ferramentas de busca, pesquisa, com linguagem clara;
  • Os dados, informações, relatórios estejam abertos para gravação (cópia);
  • Deixar claro como foram elaboradas e estruturadas essas informações;
  • Garantir a autenticidade e atualização das informações;
  • Informar uma via de acesso eletrônica ou telefônica com o detentor do site;
  • Garantir a disseminação a todas as pessoas e garantir o acesso a pessoa com deficiência

Este aspecto da Lei de Acesso à Informação evidencia que é preciso estabelecer mecanismos para ampliar o diálogo entre o poder público e a sociedade civil, a fim criar a gestão compartilhada. Ou seja, apenas fornecer informação ao cidadão, não é o suficiente para torná-lo um cidadão participativo.

Por fim, ressaltamos que em todo esse processo provocado pela LAI, o bibliotecário passa a ter um papel social cada vez mais evidente e, quando assume essa postura de orientador e mediador, percebemos que essa mudança de cenário, essa cultura de acesso e disseminação da informação, são características intrínsecas aos seus saberes.

Portanto, cabe ao bibliotecário ser o elo da relação informação e sociedade.

Lei de Acesso à Informação: um direito para todos

Ao começarmos escrever sobre a Lei de Acesso à Informação nº 12.527 de novembro de 2011 (LAI) , percebemos que apenas um post não seria suficiente para refletirmos sobre este tema tão importante para as Bibliotecas Públicas e pouco discutido entre os profissionais da área e gestores municipais. Assim, visando ampliar a reflexão, preferimos elaborar uma série de textos divididos da seguinte forma:

• Informação como Direito

• Acesso e Disseminação

• Impacto da LAI para as Bibliotecas Públicas

INFORMAÇÃO COMO DIREITO

A LAI garante ao cidadão o acesso às informações públicas, isto é, as informações produzidas e sob a guarda de órgãos da administração pública direta e indireta, dos governos federal, estadual e municipal. A perspectiva da lei estabelece este acesso como regra para todo cidadão e o sigilo como exceção.

Esta mudança do paradigma de acesso ao que era restrito, só foi possível com o fim da ditadura, que a pretexto de manter a segurança nacional guardava as informações públicas sob absoluto sigilo, estabelecendo uma “sociedade do desconhecimento”. Mas com a reabertura política e a Constituição de 1988 iniciaram-se os debates da informação como direito e transparência de ações. Atualmente, o sigilo previsto pela lei refere-se ao acesso a dados pessoais e informações classificadas por autoridades como sigilosas. Assim como, as informações sob guarda do Estado que dizem respeito à intimidade, honra e imagem das pessoas. Estas, só serão acessadas pelas próprias pessoas ou por terceiros em casos excepcionais previstos pela lei e ao público em geral após 100 anos. Falaremos mais sobre as informações sigilosas no próximo post.

A LAI vem regulamentar o I Capítulo – dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos da Constituição Federal, especialmente o artigo 5º que, no seu inciso XXXIII, afirma: “todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado”.

Mas o que representa utilizar este direito? A informação pública é considerada um bem e como tal é um direito a ser conquistado, estabelecido e debatido por toda a sociedade.

Imagine que você vai até uma escola matricular seu filho e é informado que a instituição não possui vagas. Exercendo o seu direito de acesso à informação, você poderá solicitar dados sobre o número de vagas existentes e de alunos matriculados. Neste caso, você poderá analisar se o número de vagas corresponde à demanda da comunidade e, a partir dessa informação, você poderá mobilizar outras mães e reivindicar ao poder público a ampliação de vagas. O mesmo procedimento poderá ser adotado por você para avaliar outras áreas (como Saúde, Esporte, Cultura etc.), assim como pessoas públicas (como vereadores, prefeitos, deputados etc.). Em Bibliotecas Públicas, por exemplo, informações sobre o acervo poderão ser solicitadas pelo cidadão, bem como verificar porque um serviço foi interrompido ou não existe.

Quando o cidadão acessa as informações públicas, isto significa fortalecer a democracia e a participação nos destinos da sua cidade e do seu País, alinhando esta postura com o conceito de “sociedade do conhecimento”.

Como tudo isso acontece na prática é o assunto do próximo post: Acesso e Disseminação.

Sua biblioteca é um relógio de sol?

Como você avalia um serviço? Pelo bom atendimento? E um produto? Pela qualidade do material? Quais as conveniências que transformam, por exemplo, uma livraria em um espaço agradável? Variedade de produtos? Horário de funcionamento? Sofás bonitos e confortáveis para se acomodar enquanto avalia um livro? Ou uma boa cafeteria dentro do mesmo espaço físico?

Reflita um pouco mais… O que faz um serviço ou produto de uma Biblioteca Pública oferecer a melhor experiência para seu usuário?

Para esta última pergunta, segundo Aaron Schmidt, em seu texto “Is your Library a Sundial?” (“Sua biblioteca é um relógio de sol?”, em tradução livre), publicado no site Library Journal,  a resposta é um conjunto de três fatores básicos: utilidade, uso e atração. Schmidt aborda cada um desses fatores da seguinte forma:

Utilidade: verifique se os produtos ou serviços que sua biblioteca oferece são supérfluos ou se realmente ajudam as pessoas realizarem algo. Se sua biblioteca não é útil, possivelmente a instituição não será importante para comunidade e, consequentemente, sua utilidade está comprometida.

Uso: As pessoas ficam mais felizes e aproveitam melhor os serviços de uma biblioteca quando ela é fácil de usar. Quanto mais difícil de usar e mais restrições existirem, mais as pessoas se sentem frustradas, ou pior, estúpidas. Ninguém gosta de se sentir dessa forma, por isso, não importa o quão útil sua biblioteca seja se ela não for fácil de usar.

Atração: para este fator ocorrer, podemos considerar a existência de uma condição de conveniência (bem-estar) que faz as pessoas desejarem frequentar uma biblioteca e sentirem satisfação, por exemplo, um espaço bonito e tranquilo para estudar, um jardim próximo para relaxar, uma boa cafeteria para intervalos de estudos e renovação das energias. Todos estes exemplos de atração provocam uma satisfação que vai além do significado de uso simplificado ou de utilidade da biblioteca.

O autor também esclarece que esses três elementos não estão amarrados um ao outro e, dependendo do contexto, podem ocorrer em diferentes níveis, ou seja, algo pode ser muito útil, mas difícil de usar ou ser pouco atraente. Por analogia, seria o mesmo que compararmos (como no título do artigo de Aaron Schmidt) uma biblioteca a um relógio de sol. O relógio de sol tem utilidade? Sim, mas é difícil de usar e pouco desejável dentro de um contexto mais moderno de vida.

Entretanto, como poderíamos empregar estes três fatores, para avaliar e melhorar a experiência do usuário em uma Biblioteca Pública, permitindo a combinação do útil, das facilidades de uso e do atraente para um espaço público? Seguem abaixo algumas propostas:

Procurando ser mais útil

Fazer sua biblioteca ser mais útil requer examinar os serviços oferecidos por ela, mas como o objetivo principal é criar serviços úteis para comunidade local, o primeiro passo é entender esta comunidade por meio de entrevistas e estudos demográficos. Após compreender as necessidades da comunidade, você poderá refletir sobre os serviços considerando o quão progressista será a biblioteca em relação a sua missão como instituição. Será um lugar que as pessoas frequentam apenas para pegar livros? Ou um lugar aonde as pessoas vão para melhorar suas vidas? Para Schmidt, esta é uma boa oportunidade para o bibliotecário mudar radicalmente os serviços oferecidos.

Melhorando a usabilidade

O teste de usabilidade é um método clássico para melhorar sites e que observa quais tarefas as pessoas executam ao navegar e quais são os problemas de uso encontrados. Na definição estabelecida pela norma ISO 9241-11 (2002), usabilidade é “a medida na qual um produto pode ser usado por usuários específicos com eficácia, eficiência e satisfação num contexto específico de uso”. Por definição, o mesmo princípio pode ser aplicado em bibliotecas e exigir uma revisão da política interna e compreensão organizacional de como a usabilidade impacta nos serviços. De qualquer forma, o importante é lançar uma nova perspectiva para o bibliotecário enxergar o uso de sua biblioteca, mas pelos olhos de um membro da comunidade local.

Ampliando a atratividade

Que produtos ou serviços você gosta de usar? Prefere um celular fino e leve? Frequenta um restaurante que, além da comida deliciosa, possui uma equipe amigável? Prefere modelos de carro que transmitam status? Use a experiência pessoal como um guia e adapte os elementos que distinguem os produtos e serviços que você mais gosta. Ampliar a atratividade de uma biblioteca não é tarefa fácil, por ter uma característica parcialmente estética, pode ser entendida como mera mudança de fachada. Mesmo assim, invista em um projeto visual bonito. Além de ser útil e de fácil uso, você quer que as pessoas gostem de sua biblioteca, certo? Por isso, pense em maneiras de motivar as pessoas ao uso e convívio na Biblioteca Pública.

Por fim, o bibliotecário precisa lembrar que as decisões diárias tomadas na biblioteca podem influir para melhorar ou diminuir as condições de utilidade, uso e atração. Pensar nestes aspectos pode ajudar qualquer pessoa a fazer as escolhas certas.

Reflita novamente… O que faz um serviço ou produto de uma Biblioteca Pública oferecer a melhor experiência para seu usuário? Use sua criatividade e provoque mudanças.

Bibliotecário precisa ser líder

No dia 28 de março, participamos do evento “Deixando a zona de conforto: oportunidades de liderança para bibliotecários”, em São Paulo, no auditório da Biblioteca São Paulo. Promovido pelo Sistema Estadual de Bibliotecas  SisEB e Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo, o evento apresentou videoconferência de  Maureen Sullivan, Presidente da American Library Association  ALA, seguido por um painel de discussão com as convidadas Adriana Ferrari, vice-presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições FEBAB;  Danna Van Brandt, adida cultural do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e Sueli Nemen Rocha, diretora da Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato da Prefeitura do Município de São Paulo (BIJ).

videoconferência de  Maureen Sullivan, Presidente da ALA

videoconferência de Maureen Sullivan, Presidente da ALA

Em sua palestra, Maureen Sullivan abordou a necessidade do bibliotecário assumir uma postura mais confiante, proativa e de liderança no trabalho, assim como fortalecer sua  inteligência emocional e eficiência, para isso, considere:

  • descobrir e aprimorar seus pontos pessoais mais fortes, que ajudem no desenvolvimento profissional
  • estabelecer um plano de trabalho que indique estratégias e caminhos para vida profissional
  • trabalhar com pessoas que ofereçam apoio positivo
  • buscar feedback de pessoas confiáveis e sintonizadas com seu trabalho, peça aos seus colegas uma avaliação profissional
  • pensar na capacidade pessoal e no comprometimento individual de desenvolver novas competências
  • rever suas conquistas e explorar o que você faz de melhor e dá mais prazer

Sullivan destacou também a importância da troca de “boas práticas” em bibliotecas, mas de maneira sistemática. Ressaltou que o bibliotecário precisa conhecer e interagir com a comunidade onde trabalha para recuperar  o significado social da biblioteca. Neste sentido, o profissional não pode ser um mero participante, mas precisa conduzir ações, mobilizar, liderar. Para Sullivan, nunca houve um momento tão importante e favorável como este, por isso, o profissional precisa agir.

Dentro dessa perspectiva, para a bibliotecária Miriam Pessoa dos Santos, da Biblioteca Pública Heitor Sinegaglia, o “líder bibliotecário” deve valorizar e motivar a equipe da biblioteca, assim como estreitar relações com a comunidade e os gestores públicos.

Miriam Pessoa dos Santos

Miriam Pessoa dos Santos: Para as Bibliotecas Públicas evitarem a “Zona de Conforto” é necessário buscar grandes desafios e novas oportunidades.

Após videoconferência, ocorreu o painel de discussão que refletiu sobre a mudança do currículo nas escolas de biblioteconomia, para desenvolvimento das competências de mediação e práticas de ações culturais, assim como, a formação de uma “rede de boas práticas” em Bibliotecas Públicas, que registre e incentive novas experiências.

A videoconferência estará disponível em breve no site https://conx.state.gov/brazil/

Planeje o futuro da sua Biblioteca Pública

Entre os dias 11 a 13 de março, participamos do  ‘Seminário Internacional sobre Sistemas de Informação e Acervos Digitais de Cultura”, em São Paulo, no auditório da biblioteca Brasiliana USP, que em breve será aberta ao público. Realizado pela Secretaria de Políticas Culturais (SPC) do Ministério da Cultura (Minc), o evento reuniu palestrantes nacionais e internacionais que contaram suas experiências no campo da cultura digital e da gestão de informação. Vale a pena checar! O conteúdo das palestras estará disponível para consulta nas próximas semanas.

Uma notícia importante, divulgada no evento por Américo Córdula, diretor de Estudos e Monitoramento de Políticas Culturais do Minc, será o lançamento do Programa de Apoio à Digitalização de Acervos Culturais e Históricos no Brasil. Este programa selecionará, por meio de editais, 20 instituições públicas ou privadas, que tenham acervo de valor histórico e ou cultural  e que queiram digitalizar seus documentos,  para publicação em repositório digital que seja acessível na internet. O programa oferecerá um kit com scanner, câmera, computadores etc, além de aplicativos e treinamento da equipe envolvida.  Segundo o Minc, o investimento está em torno de R$ 600 mil e a previsão do edital é para abril de 2013. Bibliotecários, fiquem atentos ao prazo do edital!!! Está é uma boa oportunidade para Biblioteca Pública modernizar sua estrutura para guarda, preservação e disseminação da memória local.

Dentro da programação, a equipe do Minc apresentou o Plano Nacional de Cultura (PNC), Lei nº 12.343/2010, com 53 metas que deverão ser alcançadas até 2020.  Para registro e reflexão, destacamos abaixo as metas do PCN relacionadas (diretamente) às Bibliotecas Públicas:

Meta 20:   Média de quatro livros lidos fora do aprendizado formal por ano, por cada brasileiro.

          O que é preciso para alcançar esta meta?

As principais ações a serem desenvolvidas para alcançar a meta são:

  • criar bibliotecas em todas as cidades, com equipamentos, acervo e funcionários suficientes para mantê-las em funcionamento;
  • capacitar pessoas para que atuem na democratização do acesso ao livro e formação de leitores, por meio de visitas domiciliares, empréstimos de livros, rodas de leitura, contação de histórias, criação de clubes de leitura e saraus literários;
  • apoiar novos espaços de leitura, tais como salas de leitura, bibliotecas circulantes, bibliotecas comunitárias, acervos em hospitais e associações comunitárias.

Meta 29:   100% de bibliotecas públicas, museus, cinemas, teatros, arquivos públicos e centros culturais atendendo aos requisitos legais de acessibilidade e desenvolvendo ações de promoção da fruição cultural por parte das pessoas com deficiência.

          O que é preciso para alcançar esta meta?

É preciso fazer cumprir a Lei Federal nº 10.098/2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. É preciso garantir também, que os espaços culturais ofereçam:

  • instalações, mobiliários e equipamentos adaptados para acesso e uso desse público;
  • banheiros adaptados;      
  • estacionamentos com vagas reservadas e sinalizadas;
  • sinalização visual e tátil para orientação de pessoas com deficiência auditiva e visual;
  • espaços reservados para cadeira de rodas e lugares específicos para pessoas com deficiência auditiva e visual com acompanhante.

Além disso, é preciso estimular os espaços culturais para que desenvolvam ações voltadas para a promoção da efetiva fruição cultural por parte das pessoas com deficiência, tais como oferecer equipamentos e serviços que facilitem o acesso aos conteúdos culturais. Exemplo disso é o uso do Braille, de Libras e da audiodescrição.

Meta 34:    50% de bibliotecas públicas e museus modernizados.     

          O que é preciso para alcançar esta meta?

É preciso dar continuidade ao Programa de Modernização de Bibliotecas Públicas da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), e ao Programa de Modernização de Museus, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Além disso, é necessário que estados e cidades também realizem projetos para aprimorar instalações, equipamentos, acervos e materiais de bibliotecas e museus públicos.

Meta 41:    100% de bibliotecas públicas e 70% de museus e arquivos disponibilizando informações sobre seu acervo no SNIIC.

          O que é preciso para alcançar esta meta?

É preciso que as instituições façam o inventário de seu acervo e mantenham um catálogo atualizado com informações sobre ele. Ao mesmo tempo, é necessário finalizar o módulo do SNIIC que integrará essas informações e as disponibilizará ao público, o que está previsto para 2013.

O PNC (versão integral em pdf/19MB clique aqui)  foi apresentado no Encontro Nacional de Novos Prefeitos 2013, em Brasília. O PNC é um plano de gestão compartilhada, por isso, é necessário que o prefeito faça adesão ao Sistema Nacional de Cultura comprometendo-se a elaborar o Plano Municipal de Cultura (PMC) para as políticas culturais da cidade, por um período de 10 anos. Desta forma a municipalidade pode receber recursos federais. Verifique se o Prefeito da sua cidade compareceu neste encontro. O Prefeito Jorge Lapas de Osasco esteve presente.

Para o acompanhamento e avaliação do PNC, o Minc disponibilizará em plataforma digital, o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC). Ele permitirá que o cidadão monitore e avalie as ações culturais no Brasil. No entanto, para monitorar o Plano Municipal de Cultura (PMC) e as ações para Bibliotecas Públicas, precisamos conhecer os instrumentos de planejamento da administração pública. O PMC deve conter diretrizes, objetivos e metas. A Biblioteca Pública precisa estar inserida no PMC e, para isso, é importante identificar problemas e situações que necessitam de soluções. Vale lembrar que toda meta deve conter uma ação mensurável por meio de indicadores, por exemplo:

  • Diretriz: promover o hábito de leitura
  • Objetivo: garantir o crescimento do acervo por meio de novas aquisições
  • Meta: aumentar anualmente em 20% o acervo com títulos novos
  • Indicador: total de títulos do ano anterior, acrescido de 20%

A participação dos bibliotecários é essencial para construção do PMC e permitirá que a Biblioteca Pública tenha representatividade na administração municipal. Planeje o futuro da sua Biblioteca Pública, use as estratégias de Advocacy e provoque mudanças.

Biblioteca Pública e mídias sociais

Milhões de pessoas fazem uso das mídias sociais como parte de sua vida cotidiana. Neste contexto, segundo o relatório “The State of America’s Libraries 2012“, elaborado pela American Library Association (ALA), as mídias sociais estão influenciando diretamente as Bibliotecas Públicas. Nessa pesquisa, estatísticas mostram que 68.3% das Bibliotecas Públicas americanas usam frequentemente o Facebook para atualizar os perfis de seus usuários e como meio de divulgação de eventos e atividades, 39.2% usa Twitter, 34.3% possui um blog e 29.2% mantêm compartilhamento de fotos com algum tipo de serviço online (como Flickr). Nos dados gerais, vídeos (Youtube) aparecem entre as quatro ferramentas mais utilizadas.

No Brasil, dados da Pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação, “TIC Domicílios e Empresas 2011“, promovida pelo Comitê Gestor da Internet (CGI.br), indicam que o usuário da Internet no Brasil aproveita a rede para comunicação,  busca de informações e lazer. Dentro desse quadro, os principais usos estão relacionados às atividades de comunicação: enviar e receber e-mail (78%), enviar mensagens instantâneas (72%), participar de sites de relacionamento (69%),  uso de microblog como, por exemplo, Twitter (22%) e atualização de blogs ou sites (15%). Entre as atividades de lazer mais realizadas: assistir filmes ou vídeos em sites como o YouTube (58%).

Todos estes dados reforçam o importante papel do uso de mídias sociais como ferramentas para comunicação de conteúdos (textos, imagens, áudios, vídeos, etc.), perfis e opiniões; consequentemente, entendemos que seu maior atributo é facilitar a criação de uma rede entre a biblioteca e sua comunidade de usuários. Para refletir sobre o assunto, ao criar uma conta em uma das redes sociais, considere os seguintes aspectos:

  1. A Biblioteca Pública precisa criar identidade digital para interagir nas redes sociais. Comece de maneira simples, escolha uma ferramenta de mídia social (Facebook, Twitter, blog etc.) para compreender seu mecanismo e criar o hábito de uso, depois experimente outras mídias. No entanto, para conseguir uso eficaz, essa atividade dever ser contínua e mantida por uma pessoa dedicada ao serviço de referência em mídias sociais.
  2. As redes sociais promovem interação entre pessoas e grupo de pessoas, atue com seus usuários reais e cative usuários em potencial. Lembre que nas redes sociais é comum oferecer e pedir ajuda. Tente criar para biblioteca um perfil vivo e dinâmico, interagindo com seus usuários e respondendo as perguntas mais comuns que aparecem nas mídias: O que está acontecendo? O que está fazendo? O que está pensando?
  3. Abra espaço de comunicação para interagir com a história do usuário e permitir que a Biblioteca Pública conte sua própria história.
  4. Provoque interações entre os usuários, criando círculos de afinidade e mostre as pessoas o que elas têm em comum.
  5. Divulgue conteúdos positivos, informativos, curiosos ou interessantes, essas informações normalmente são compartilhadas mais vezes. Para entender o impacto dessas mídias veja abaixo o vídeo “Poder do Curtir”, desenvolvido pela organização Médicos Sem Fronteiras, que explica o mecanismo, a força e a dimensão construtiva da informação em rede. Este modelo de mobilização online é também referência para ações em defesa das Bibliotecas Públicas, como o Movimento Advocacy. Se você quer engajar pessoas que acreditam na importância da Biblioteca Pública, use o seu “poder do curtir”.